Vídeo da semana #25!

Tem vídeos que a gente coloca aqui mais pela repercussão e importância cultural do que pela técnica ou coreografia, especificamente. É o caso de “Freedom”, da nossa querida Alvin Ailey (que já foi tema de #videodasemana!). Eles usaram a música da diva musa mravilhosa cantora Beyoncé para endossar o protesto contra o racismo escancarado nos Estados Unidos, que, como no Brasil, mata milhares de pessoas.

Dessa vez não vamos nos alongar muito, porque o vídeo e a coreografia são bem simples. Não cabe aqui ficar analisando tanto a técnica (embora eu ache que a coreô, embora bem curtinha, consegue passar a força da música muuito bem), até porque foi tudo gravado numa sala de aula e postado diretamente no Instagram. E talvez por isso seja tão bacana! Por mais vídeos assim 🙂

 

PS: Obrigada à querida leitora Carla Siqueira pela sugestão!

PS 2: Quer mandar um vídeo pro nosso #videodasemana? Mande uma mensagem por aqui, pelo Facebook ou pro nosso email (oitotemposblog@gmail.com) que adoraremos disponibilizar aqui!

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Alison Stroming: “Adoraria dançar e ensinar no Brasil”

Uma das bailarinas mais promissoras de sua geração, a brasileira radicada nos Estados Unidos Alison Stroming quer mais do que ser apenas uma estrela do ballet: ela quer fazer a diferença. Nascida no Recife (PE), ela foi adotada aos quatro meses de idade por um casal americano e, desde então, só voltou ao Brasil uma vez. No que depender dela, isso vai mudar! Além de dançar, Alison quer treinar pequenas bailarinas na sua cidade natal, e trazer para o Brasil a inclusão na dança (algo que discutimos muito por aqui!).

Calma que tem mais: ela ainda fala da importância de companhias como Alvin Ailey e Dance Theatre of Harlem, onde ela dança, duas das mais importantes instituições dos Estados Unidos e que têm uma base muito forte na cultura e dança negras e afro-americanas. Para ela, isso (junto ao apoio às artes) permite que os Estados Unidos estejam vivendo uma onda de diversidade e pluralidade na dança.

Segue a nossa entrevista!

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Alison em ensaio para o Ballet Zaida (Foto: Reprodução / Ballet Zaida)

Quantos anos você tinha quando começou a dançar? E como foi sua carreira até agora?

Eu comecei a dançar aos dois anos de idade. Eu tenho quatro irmãos mais velhos que dançaram em algum ponto de suas vidas, então minha mãe me colocou na aula de dança achando que seria um hobby legal para mim e nunca achou que seria algo a mais.

Enquanto menina eu pratiquei vários esportes e fiz um monte de atividades extracurriculares, mas dança sempre foi minha favorita.

Eu tinha nove anos quando comecei a treinar na School of American Ballet (SAB). Eu me apaixonei pelo ballet e soube desde pequena que eu queria ser uma bailarina. Eu estudei na SAB por três anos e depois fui para a Divisão Junior da Escola de Ballet Jacqeline Kennedy Onassis (JKO), onde continuei minha educação até eu me formar.

Desde que me formei na escola e na JKO na American Ballet Theatre, eu tive a sorte de ter meu primeiro contrato de corpo de baile na Alberta Ballet, no Canadá. Eu dancei no Alberta Ballet por dois anos participando de produções de George Balanchine, Kirk Peterson e vários outros coreógrafos canadenses. Eu tive a oportunidade de me apresentar com a artista Sarah McLachlan em seus concertos por Toronto, o que foi uma experiência incrível. Então, fui para o Ballet San Jose, na Califórnia. Minha mãe e meus irmãos se mudaram para Los Angeles, e eu fiquei extasiada em ficar perto deles. Eu dancei lá por um ano e agora estou na minha segunda temporada no Dance Theatre of Harlem.

Olhando pra trás, eu certamente me mudei muito nos últimos quatro anos, mas estou muito feliz em chamar Nova York de ‘casa’ novamente.

 

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Causando no metrô! (Foto: Reprodução / Underground NYC)

Quando foi que você decidiu se tornar profissional?

Ainda como aluna da Escola do American Ballet  eu tive várias oportunidades de participar em espetáculos do New York City Ballet em papeis infantis. Eu nunca vou esquecer dançar Polichinelle numa performance d’O Quebra Nozes e assistir das coxias os dançarinos da companhia e Maria Kowrowski como Fada Açucarada. Eu me senti tão inspirada em ver a companhia tão de perto e dividir o palco com eles que eu sabia que o ballet era o que eu queria buscar para minha vida.

Você disse que nasceu no Recife, mas se mudou para os Estados Unidos ainda muito jovem. Você acompanha o cenário de dança brasileiro?

Não tanto quanto eu gostaria! Felizmente eu tenho grandes amigos brasileiros no Dance Theatre of Harlem e é bom ouvir as histórias deles, e eles me mantêm informada do que está acontecendo com a dança no Brasil. Não existem tantas oportunidades para bailarinos e artistas no Brasil. Eu conheço muitos dançarinos brasileiros que estão agora dançando em grandes companhias  no mundo e suas histórias são muito inspiradoras.

Você pensa em se apresentar aqui?

Claro! Eu adoraria me apresentar no Brasil. É um país belíssimo e seria um sonho dançar no meu país de origem. Eu estive no Rio uma vez de férias com a família quando eu tinha 13 anos, mas seria muito bom voltar para visitar Recife, que é onde eu nasci. Além de dançar, eu adoraria ensinar e treinar meninas no Brasil.

Você dança numa companhia muito cultural e conhecida pela proximidade com a cultura negra. Qual é a importância desse tipo de companhia, como o Harlem, Ballet Black e Alvin Ailey?

A importância de companhias como a Dance Theatre of Harlem e Alvin Ailey é de abraçar a noção de diversidade e abrir mais oportunidades para bailarinos de diferentes trajetórias e contextos, particularmente afro-americanos. Essas instituições representam essa transformação do ballet e são fortes ícones na história da dança. Com o passar dos anos, muitos bailarinos quebraram barreiras e deixaram o caminho pronto para a geração seguinte. Com essas companhias, o mundo do ballet ficou mais diverso e se transformou numa reflexão mais verdadeira da nossa sociedade.

 

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Linhas! (Foto:Reprodução/ Underground NYC)

O ballet está se tornando mais inclusivo?

Absolutamente. Os bailarinos são muito diversos e diferentes, particularmente nessas companhias nos Estados Unidos. Aqui os bailarinos podem ser eles mesmos, e não se preocupam em ter que parecer um com o outro nem em se enquadrarem no esteriótipo típico de como uma bailarina deve ser. A arte ficou ainda mais bonita por causa dessa ‘leva’ de diversidade e como os bailarinos podem mostrar sua individualidade.

Existe algum papel que você gostaria de representar? Você já dançou seu repertório preferido?

Um papel que eu gostaria de dançar é Odette/Odile em O Lago dos Cisnes. Eu simplesmente amo a qualidade suave e graciosa de Odette e depois a energia forte e misteriosa exigida para Odile, o cisne negro. O Lago é uma das minhas histórias de ballet preferidas, e eu tive a oportunidade de dançar a produção de Kirk Peterson quando eu estava no Alberta Ballet. Eu também dancei Serenade, de George Balanchine, que é outro repertório preferido que eu me sinto muito honrada de ter dançado.

Quais são suas metas para o futuro?

Tenho muitas metas para o futuro e a lista está sempre expandindo e crescendo. Mas a maior delas é dançar como bailarina principal numa grande companhia de ballet nos Estados Unidos ou na Europa. Tem muitos coreógrafos contemporâneos com quem eu sonho em trabalhar e aprender. Além do ballet, eu também treino sapateado e jazz, então eu adoraria dançar na Broadway, em TV ou em filmes.

MAIS:

Além disso tudo, ela tem um eixo in-crí-vel! Olha só esse vídeo:

 

Vídeo da semana #12!!

Linda Celeste Sims e Glenn Allen Sims dançam pelo Alvin Ailey (Foto: Reprodução)
Linda Celeste Sims e Glenn Allen Sims dançam pelo Alvin Ailey (Foto: Reprodução)

Chegou atrasadinho, mas chegou! Nosso #videodasemana de hoje acaba sendo uma plataforma de divulgação de duas companhias que amamos: o Royal Ballet e o Alvin Ailey. Explicamos: a coreografia escolhida é a After the Rain, assinada por Christopher Wheeldon. Neste vídeo os dançarinos são da Alvin Ailey, mas quem está remontando o repertório para esta temporada é o Royal Ballet – com os queridos Thiago Soares e Marianela Nuñez!

Vamos à coreografia: o pas de deux, executado por um homem e uma mulher, é até simples, se comparado a outras montagens contemporâneas assinadas pelo coreógrafo, como Alice no País das Maravilhas. Mas tem um impacto muito forte, talvez por essa simplicidade. O que mais chama atenção, para mim, é a leveza dos braços dos dois dançarinos, e também a movimentação do pulso – lembra até a técnica do flamenco, embora muito mais delicada. Expressão, aqui, é a chave.

O ballet, que foi montado em 2005, exige uma cumplicidade muito forte entre o casal. Nesse caso, os bailarinos do Alvin Ailey são o par perfeito: além de partners, são, também, marido e mulher! As sequências e “carregas” não são óbvias, mesmo para uma montagem que flerta com o contemporâneo. Logo no início da coreografia, por exemplo, o bailarino sustenta a bailarina, de lado, ela com as pernas abertas na segunda posição. O movimento, em espiral, termina em um abraço suave entre os dois. Durante a dança, Wheeldon brinca com o equilíbrio do casal. Os dois estão sempre sendo a base ou a impulsão para os passos do outro. Pela movimentação, sobretudo dos braços, o que podemos inferir é uma sensação de busca pela liberdade.

Olha a sincronia da Linda Celeste Sims e Glenn Allen Sims! (Foto: Reprodução)
Olha a sintonia da Linda Celeste Sims e Glenn Allen Sims! (Foto: Reprodução)

Vale muito a pena assistir o repertório todo, mas, por enquanto, deixamos aqui a “cereja do bolo”. Esperamos que goste!

 

Veja aqui nosso acervo!

Vídeo da semana #11

Vídeo da semana #10

Vídeo da semana #09

Vídeo da semana #08

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Vídeo da semana #06

Vídeo da semana #05

Vídeo da semana #04

Vídeo da semana #03

Vídeo da semana #02

Vídeo da semana #01

 

Ed Cruz: “O Balé Folclórico da Bahia abriu minha cabeça”

Foto: arquivo pessoal
Ed é formado em ballet clássico, contemporâneo e afro

Talvez por ter nascido em Salvador, na Bahia, o bailarino Ednei Cruz tem formação bem eclética: seu currículo soma ballet clássico, contemporâneo e afro. Aos 23 anos, Ed se despede do Balé Folclórico da Bahia (BFB) para realizar o sonho de dançar fora do país: em janeiro, ele ingressa na Alvin Ailey American Dance Theater, em Nova York, nos Estados Unidos, e vai se tornar mais um dançarino brasileiro a tentar reconhecimento em companhias internacionais. Apesar de ter estudado apenas no Brasil, Ed se apresentou em vários palcos do mundo pelo BFB, e sabe bem o que é um teatro cheio. Além disso, ele diz que a companhia dá um ‘empurrãozinho’ para que os bailarinos da casa saiam do ninho – e isso, somado a fatores sociais e profissionais, fez com que o bailarino remodelasse sua visão do balé folclórico e da própria dança. Confira abaixo a entrevista completa!

Você tem uma formação muito ampla: ballet clássico, contemporâneo e afro. Com qual se identifica mais?

Antigamente eu me encontrava mais no clássico. Mas hoje, no moderno e no afro eu me sinto mais livre para fazer o que eu quero. Dá para colocar mais sentimento, mais expressão no movimento, sem se preocupar tanto com a técnica.

O Balé Folclórico resolveu ‘esticar’ o final de temporada em Salvador, que inicialmente tinha sido em 4 de setembro. Curiosamente, a procura por ingressos na cidade da companhia nunca foi muito forte. Isso mudou?

Depois desse dia 4 de setembro, quando terminamos inicialmente a temporada no Teatro Castro Alves, ficamos muito surpresos com a venda de ingressos, foi muita gente diferente do público que sempre ia. Normalmente iam bailarinos amigos nossos, gente do meio da dança daqui da Bahia que gostava e ia prestigiar. Agora, pessoas que entendem do afro passaram a assistir também, gente que vive a cultura. Antes não tínhamos muito público, o baiano não queria nos ver dançar. E isso está mudando. Por isso que esses dois dias extras foram colocados. Muita gente tentou ir na primeira data e não conseguiu. Foi uma surpresa maravilhosa.

Foto: Balé Folclórico da Bahia
“Herança Sagrada, a Corte de Oxalá”, do BFB

Tem algum repertório ou montagem que gostaria de dançar?

Tem, sim. Revelations, que é do repertório do próprio Alvin Ailey. Ganhei uma bolsa de estudos pra dançar lá em janeiro e espero que esse repertório esteja incluído, porque sou apaixonado por ele.

E como você conseguiu entrar na Alvin Ailey?

Primeiro eu mandei um vídeo e consegui bolsa para o curso de verão (que aconteceu em julho). Normalmente, para entrar na companhia, tem que fazer audição, mas, como eu fiz o curso, ganhei a bolsa. Era até para eu ter ido em setembro, mas, por conta dos custos, eu consegui adiar para janeiro do ano que vem.

Você sempre quis ir para o exterior?

Dançar fora do país sempre foi um desejo meu. Quando entrei no Balé Folclórico foi para isso. Eu sinto até vergonha em dizer, mas eu não conhecia a companhia, só fiz audição porque sabia que o Balé fazia turnês internacionais. E, por sorte, eles têm esse foco de formar bailarinos pra fora. Quando entrei eu tinha uma mentalidade totalmente diferente. Eu tirei muita coisa boa na questão artística e pessoal. Coisas como a forma de você se vestir, como se portar, o jeito de falar com os bailarinos, com as pessoas… Abriu minha cabeça. Isso é maravilhoso.

Tem algo que você acha que dê certo para todos os tipos de dança?

Indiscutivelmente, o ballet clássico. Para conseguir fazer os passos com facilidade o clássico é indispensável, porque é a base de tudo. Antes de eu chegar no Balé Folclórico eu era só clássico, e lá é tudo diferente. A movimentação é diferente, a respiração é diferente, o sentimento… Não acho que exista alguma coisa que dê certo em todas as danças, porque cada uma é muito diferente da outra. O clássico tem o rigor da técnica, o afro é mais condicionamento e explosão, o contemporâneo é uma movimentação mais fluida…

Qual é a sua maior inspiração?

Desmond Richardson, da Complexions Contemporary Ballet – e ex-bailarino da Alvin Ailey. Logo que comecei a dançar eu pensei ‘eu quero ser igual a esse cara’, sabe? Então eu fui em frente, fiz audições e comecei a dançar profissionalmente. Fui crescendo até chegar onde cheguei.

  • O Balé Folclórico da Bahia encerra nos dias 24 e 25 de outubro a temporada de “Herança Sagrada: a corte de Oxalá”, no Teatro Castro Alves (Salvador). Os ingressos estão esgotados!