O que esperar do Russian State Ballet?

Na quinta-feira (12 de maio) nós assistimos a uma apresentação do Russian State Ballet no Teatro Castro Alves, em Salvador (BA). A programação, como esperado, contou com trechos de vários ballets famosos – a maioria pas de deux –  e teve duração aproximada de duas horas.

Mas o que teve? Bom, teve muito bailarino bom, algumas decepções, mas, no geral, adoramos a experiência. É diferente, de fato, ver os russos no palco, pois a colocação dos braços (bem esticados, chegando até a ficar hiperextensos) e aquelas coisinhas que já falamos sobre extensões, velocidade e explosão.

De cara, sentimos falta de um programa! A gente adora saber quais são os bailarinos que vão dançar, bem como a ordem das danças. Os nomes foram anunciados antes das danças, mas, mesmo assim, é difícil gravar. Fica a dica, produção!

 

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As linhas de ‘Carmen’ (Foto: Tomas Kolisch Jr/ Divulgação)

Vamos às apresentações: assistimos A Morte do Cisne; Carmen; A Bela Adormecida; O Quebra-Nozes, pas de deux do cisne negro; Romeu e Julieta; Sherazade; A Dama e o Vagabundo; pas de deux de Escrava e Mercador, d’O Corsário; e Spartacus.

Adoramos a bailarina Viktoria (por motivos de falta de programa não sabemos exatamente o nome dela! Apenas que dançou Carmen, Romeu e Julieta e brilhou em Spartacus). Foi a dançarina mais completa, que abusou das linhas, da flexibilidade e controle nos giros e balances.

O partner dela, Abel (?) também foi muito feliz nos repertórios, em especial nas codas. Saltos super controlados e, o mais importante: pés esticados!

Outra que arrasou nos giros e no carão foi a que dançou o pas de deux do cisne negro. Apesar de não ter um développé na orelha, controlou super bem os fouettés e as descidas.

Poréns

Se tivemos performances lindas, tivemos algumas que não foram lá de encher os olhos. No pas de deux de A Bela Adormecida, a bailarina Marta (?) não parecia muito confortável com o papel – talvez muito ‘delicado’ para ela. Em Sherazade (achamos que foi a mesma bailarina) ela se ‘encontrou’e foi bem melhor. Os fouettés de Dalia, bailarina que dançou O Quebra-Nozes e O Corsário, deixaram a desejar. Uma pena, porque até então ela estava super bem nos dois papéis: super delicada e com linhas lindas!

Entendemos que quando uma apresentação é composta por divertimentos, fica complicado investir num cenário que case bem com todos os trechos. Mas normalmente um bom jogo de luz no fundo branco resolve! No TCA, o fundo era escuro, e não valorizou a iluminação – ou alguns figurinos.

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Trechinho de ‘A Dama e o Vagabundo’, ballet que não conhecíamos (Foto: Divulgação)

Valeu a pena?

Se você ainda está na dúvida se deve ou não assistir, nós recomendamos. Apesar de alguns pesares, a apresentação é muito amarradinha e os trechos são de ballets lindos, com algumas versões diferentes (não conhecíamos a de Romeu e Julieta, por exemplo!) que podem incrementar ainda mais sua biblioteca de repertórios! Não foi muito diferente do que Anastasia Kazakova (que infelizmente não vimos dançar) nos disse.

 

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Perfil: Larissa Lezhnina

Pedido de blogueira competente a gente não nega, né? Ainda mais blogueira competente e parceira, como é o caso da Julimel, do Vídeos de Ballet Clássico. A gente perguntou aos leitores e leitoras quem el@s gostariam de ver com perfilzinho aqui no blog, e Julimel sugeriu a bailarina preferida dela, Larissa Lezhnina. Então, vamos lá!

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Larissa (Foto: Het Nationale Ballet/ Reprodução)

Larissa integra o vasto time de bailarin@s russ@s que deixaram a terra natal para crescerem em companhias ocidentais – como Natalia Makarova, Mikhail Baryshnikov e Rudolf Nureyev. Larissa começou a dançar ainda criança, por incentivo da mãe. Foi uma das professoras dessa escola que viu o potencial dela e sugeriu que fizesse o teste para a Escola Vaganova, em Leningrado, e seguisse a carreira de bailarina profissional.

Da formatura, seguiu para o então Kirov (hoje ballet do Teatro Mariinsky), onde começou a crescer internacionalmente. Mesmo quando solista, Larissa já era reconhecida pela elegância nos palcos e, especialmente, por sua interpretação de Aurora em “A Bela Adormecida”. Em 1994, após alguns anos como principal da companhia de São Petersburgo, Larissa decidiu migrar para o Het Nationale Ballet. Ela tinha 25 anos. O motivo? “É impossível trabalhar com um diretor que te odeia”. Palavras da própria Larissa – o diretor, na época, era Oleg Vinogradov.

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Larissa em Serenade, de Balanchine, pelo Het Nationale Ballet (Foto: Reprodução)

Foi na companhia holandesa que Larissa realmente desabrochou. Para ela, que até então só tinha dançado peças extremamente clássicas, ousar em repertórios mais modernos, de coreógrafos como Ashton, Van Manen, Van Dantzig, Forsythe, e Tharp, foi muito gratificante. “Eu acho que é ótimo você exigir mais de si mesmo e tentar algo completamente diferente”, disse.

“Na época em que eu estava no Kirov, as únicas peças modernas que a gente tinha eram algumas de Balanchine e Robbins, que raramente eram apresentadas”. Mas, claro, os ballets preferidos continuaram sendo os clássicos, que ela cresceu apreciando e dançando.

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Nota pessoal: a primeira vez que vi Larissa dançando (sempre em DVDs e vídeos no YouTube, que fique claro!) foi numa apresentação de gala de divertimentos que o Kirov fez em Londres, em 1992, para a princesa Diana. Na época, Larissa dançou a suíte de Diana e Acteon com Faroukh Ruzimatov, outro bailarino brilhante. Eles tinham uma sintonia incrível!

Larissa se aposentou em 2014, após 20 anos como primeira bailarina no Het Nationale Ballet. Olha que lindo o vídeo de apresentação que a companhia fez dela!

Fonte: For Ballet Lovers Only