World Ballet Day 2017: Royal Ballet parte 1

Assim como aconteceu no ano passado, não conseguimos respeitar a ordem cronológica do #WorldBalletDay nas nossas postagens porque o Bolshoi demora um pouquinho mais que as outras companhias para disponibilizar o vídeo da transmissão em seu site oficial. Mas assim que isso acontecer vamos resenhar essa que é uma das maiores fábricas de talento do mundo da dança!

Vamos então ao Royal Ballet, uma companhia que já se firmou entre as melhores do mundo e que passa, nos últimos anos, por uma reformulação no quadro de bailarinos solistas e principais.

Royal Ballet
Alexander Campbell, da sala de aula para a TV! (Fotos do YouTube)

Uma coisa que achei bem legal foi, neste ano, chamar o principal Alexander Campbell – além da principal character Kristen McNally (que já tinha participado no ano passado) – para ajudar na apresentação.

Um insight: Na transmissão de 2015, Campbell ensaiou com Yuhui Choe o pas de deux Two Pigeons. E já acompanhamos um ensaio de Kristen aqui, em que ela aprendia com Monica Mason a se tornar a Carabosse d’A Bela Adormecida.

Juntos, os dois conseguem trazer a perspectiva dos bailarinos em atividade para as filmagens. Ponto para o ballet da rainha!

A aula da professora convidada Olga Evreinoff é daquelas bem gostosinhas de fazer: super simples, pra gente ir amaciando e aquecendo a musculatura e ir forçando aos poucos. Na barra, muitos tendues com velocidade crescente para ‘ligar’ os tendões e treinar bastante a passagem do pé no chão na hora das fechadas em quinta.

Royal Ballet
Muitos tendues na barra! (Foto: Reprodução/ YouTube)

A sequência era sempre bem facilzinha de gravar. Algo que achei bem legal foi ela sugerir fazer rises na meia ponta após o grand battement, aproveitando que a musculatura já estava super aquecida, para ajudar os passos no centro. Haja panturrilha!

No centro, alguns velhos conhecidos apareceram para nosso deleite! O ruivíssimo Steven McRae,  Vadim Muntagirov, Sarah Lamb e Laura Morera fecham o time dos principais. Temos ainda presença brasileira na aula, com Leticia Dias (de calça vermelha colorida na barra do centro) e Leticia Stock (de collant rosa).

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Marianela sentida por não participar ao vivo da transmissão neste ano

Dessa vez não tivemos a participação ao vivo Marianela Núñez, que estava em apresentação especial no Teatro Colón, na Argentina – sua terra natal. Para sua presença não passar em branco, a diva gravou um videozinho para os fãs. Achamos fofo!

Nessa primeira parte temos também alguns ensaios. O primeiro deles é The Dreamers Ever Leave You, com Alexander Campbell deixando o microfone de lado para ensaiar com as novas principais (e duas das principais estrelas em ascensão do Royal) Francesca Hayward, e Yasmine Naghdi, e também com o principal Ryoichi Hirano. Quem conduziu foi o assistente de coreografia Johannes Stepanek.

Ensaio Dreamers
Alexander Campbell volta à sala de aula com Francesca Hayward

Depois de uma breve e deliciosa participação do English National Ballet (como não amar uma companhia que reúne Tamara Rojo como principal E diretora artística, Alina Cojocaru e Cesar Corrales?), voltamos ao Covent Garden com ensaios de As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, um dos repertórios mais criativos e lúdicos da companhia nos últimos anos.

A primeira parte do Royal encerra com a participação especial do Scottish Ballet e do Royal Ballet School!

Veja a primeira parte da transmissão aqui:

 

Mais fotos na galeria:

 

Veja mais da nossa cobertura do World Ballet Day 2017:

Australian Ballet

Nosso acervo:

World Ballet Day 2016

World Ballet Day 2015

Les Trocks rock!

Me ocorreu que nunca tinha feito um post sobre uma companhia super vanguarda, extremamente bem-humorada e com artistas muito talentosos: Les Ballets Trockadero de Monte Carlo. Sou apaixonada por esses bailarinos, e já tive a sorte de vê-los dançar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2007.

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Cena de “O Lago dos Cisnes”, ou “Quem Vai Ficar com Odette”? (Foto: Reprodução)

Para quem não conhece, a companhia é formada apenas por homens, que se revezam nos papeis masculinos e femininos nas remontagens dos clássicos. E essas remontagens são sempre caricaturas e abordagem de situações que jamais veremos no palco. Como um bailarino não conseguir carregar uma bailarina, por exemplo, ou uma bailarina de óculos e mascando chiclete. Alguém que ‘esquece’ a entrada na dança ou vai vestida com o figurino de outro repertório.

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Treta em “Paquita” (Foto: Reprodução)

Todas as bailarinas e bailarinos do elenco têm uma identidade com nome engraçado e histórico curioso, muitas vezes brincando com a debandada das estrelas russas do país natal. Isso tudo só faz agregar à dança e à diversão que eles proporcionam.

Mas se engana quem acha que eles só brincam! Eles treinam, e muito, para conseguir fazer tudo que uma bailarina faz nas pontas. Tem fouetté, penchée, piruetas mil e tudo que manda o figurino – ou o repertório. Lembro que, conversando com eles após a apresentação, eles disseram que é uma forma de homenagear as mulheres da dança, porque subir nas pontas é uma das coisas mais difíceis de se fazer. Eles, mais do que ninguém, sabem muito bem disso.

Segue abaixo uma das apresentações deles que eu mais gosto: A Morte do Cisne. Ver ao vivo é impagável, mas por aqui dá pra se divertir muito, também!

Gostou das bailarinas drag queens? Tem mais fotos aqui: