Vídeo da Semana #29

Hoje é um dia bom para soprar as teias de aranha do blog e fazer o PRIMEIRO POST DE 2017 (uhuul!) por dois motivos: é sexta-feira 13 tem vídeo novo rolando e é da brasileira linda Ingrid Silva, que dança no Dance Theatre of Harlem, nos Estados Unidos. Obrigada especial à leitora Paula Lima pela dica 🙂

A gente já falou aqui de uma colega dela (a também brasileira mas radicada nos EUA Alison Stroming), e quem acompanha nosso instagram e Facebook sabe o quanto somos fãs de Ingrid. E por isso esse vídeo é tão emocionante: conta um pouquinho da história dela em imagens, música, dança e algumas palavras.

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Ingrid nasceu no Rio de Janeiro, e no bairro de Benfica, onde morava, começou a fazer aulas de ballet. Depois de vários anos treinando e já reconhecida pelo seu talento inegável como bailarina, foi tentar a sorte nos Estados Unidos, onde fez audição para o Ballet do Haelem e passou. Hoje é uma das maiores bailarinas da sua geração – ao lado de ícones como Michaela DePrince e a própria Alison Stroming.

Sem pieguismo mas com muita sutileza e elegância, o pequeno filme nos conduz à trajetória dessa bailarina que ainda vai dar muito o que falar.

Confira!

 

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Uma #TutuTuesday diferente!

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Russian ballet dancer Sergei Polunin Rick Guest/East Photographic

Recebemos umas imagens tão inspiradoras da nossa leitora Clarice (obrigada!!!) que resolvemos fazer um post sobre isso: pessoas que amam tanto a dança que resolvem marcar no corpo.

Na dança não é muito comum bailarinos terem muitas tatuagens, até porque, nas apresentações de repertório mais tradicionais, é necessário apagar os desenhos. Mas é claro que existem exceções: um dos bailarinos mais prestigiados do mundo, Sergei Polunin, tem VÁRIAS tatuagens (veja ao lado!)

Abaixo uma galeria de algumas das fotos que eu gostei mais. Não vou mentir: nunca me interessei em fazer tatuagem, mas confesso que fiquei inspirada!

Você tem alguma tatuagem sobre dança? Pensa em fazer alguma? Conta pra gente!

 

Vídeo da Semana #28!

Eu amo a rotina de aula. Sério mesmo! Adoro que, no ballet, os passos têm uma sequência lógica pra acompanhar o aquecimento do corpo.

Adoro também que bailarin@ é um bicho tão apaixonado pelo que faz que carrega na cara (e no corpo!) resquícios da dança. Quem nunca parou numa quarta posição enquanto falava com alguém? Fez um penchée pra pegar alguma coisa no chão? Esticou a ponta pra começar a andar?

Felipe dando aula no Ballet Marília Nascimento

Por isso que esse #videodasemana é o da leitora (e coleguinha de ballet!) Clara Gibson, que filmou uma aula/ensaio no Ballet Marília Nascimento, em Salvador, e o resultado ficou bem fiel à nossa realidade.

Além do mais, você pode ver Felipe tirando onda como professor! 😁

Mandaram bem, bailarinos!

O vídeo foi produzido pela bailarina através do Núcleo de Práticas Comucacionais (Nuprac) da Universidade Jorge Amado, na capital baiana.
Pode apertar o play!

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O que esperar de The Golden Age

Ser jornalista tem seus pontos positivos, e um deles é poder assistir a filmes e produções antes que elas estreiem para o público. Isso aconteceu comigo nessa semana, quando assisti ao The Golden Age (A Era de Ouro) do Bolshoi pelo jornal que eu trabalho (a matéria que eu fiz está aqui!). Esse repertório terá transmissão ao vivo nos cinemas UCI hoje e amanhã, e resolvi postar aqui uma impressão mais técnica para quem está pensando em assistir.

OBS: Se você não quiser ir ao cinema, pode baixar no blog Vídeos de Ballet Clássico!

Primeiro: importante contextualizar que esse ballet foi montado, originalmente, em 1930. Nessa época, a Rússia era a União Soviética e estava nos primeiros anos do regime socialista. Isso resultou num repúdio cultural aos países capitalistas, como os Estados Unidos e, também, a Europa.

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Nina Kapsova e Ruslan Skvortsov como Rita e Bóris (Fotos: Damir Yusupov / Bolshoi Theatre)

The Golden Age reflete isso muito bem. A trama se passa numa ilha litorânea no Sul da União Soviética nos anos 1920, num ambiente bem sensual e boêmio – lembrando bastante os cabarés parisienses.

A história segue o clássico enredo romântico: os personagens principais, a dançarina Rita e o pescador Bóris, se apaixonam e querem ficar juntos. Mas os vilões Yashka, líder de uma gangue criminosa, e Lyuska, sua fiel escudeira, tentam separá-los. Durante o espetáculo há muita dança e confusão no restaurante que, curiosamente, se chama The Golden Age. Spoiler: o final é dramático, mas feliz!

No geral, achei que a sátira funcionou muito bem no ballet. Não é exagerada, fica numa malícia implícita, bastante sensual e alegre. O Bolshoi soube usar os figurinos e combinar passos da dança de salão com o ballet clássico. Ponto para Yuri Grigorovich, que assina a coreografia.

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Ekaterina Krisanova e Mikhail Lobukhin como Lyuska e Yashka

A costura dos movimentos, especialmente nos solos, lembra muito Balanchine, embora Grigorovich tenha um estilo muito inspirado nas extensões, marca registrada da escola russa. Mas, ainda assim, ele cobra mais agilidade e giros mais certeiros das bailarinas, e exige delas uma musicalidade aguçada para fazer caber os passos na música. Achei bem interessante!

Quem gosta de pas de deux vai se encontrar nesse repertório: Rita e Bóris dançam juntos três vezes ao longo dos dois atos. Rita e Yashka mais uma vez, e Lyuska, de longe a personagem mais interessante da produção, apenas flerta com outros bailarinos durante suas aparições.

Acho que The Golden Age é uma boa pedida para esse fim de semana, especialmente porque é uma produção exclusiva do Bolshoi – nenhuma outra companhia no mundo apresenta esse repertório!

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Nina Kapsova e Mihkail Lobukhin como Rita e Yashka

Ballets da temporada do Bolshoi com transmissão nos cinemas:

A Era de Ouro: 19/11 (sábado) às 13h30 e 20/11 (domingo) às13h

O Quebra Nozes: 10/12 (sábado) e 11/12 (domingo)

O Lago dos Cisnes: 11/02/2017 (sábado) e 12/02/2017 (domingo)

A Bela Adormecida: 11/03/2017 (sábado) e 12/03/2017 (domingo)

Uma Noite Contemporânea: 29/04/2017 (sábado) e 30/04/2017 (domingo)

O Herói do Nosso Povo: 27/05/2017 (sábado) e 28/05/2017 (domingo)

Mais informações aqui.

Segue o trailer da temporada 2016/2017 do Bolshoi pra te convencer a ir 🙂

Quer mais notícias do Bolshoi? Tem aqui! Quer ler outras resenhas? Tem aqui!

World Ballet Day 2016 – San Francisco Ballet

O World Ballet Day termina do mesmo jeito que começa: com uma companhia super inovadora. Dessa vez falamos do San Francisco Ballet, que, apesar de ser a primeira companhia dos Estados Unidos, está sempre trazendo novidades no repertório, nas coreografias originais e no elenco.

E que elenco! Basta dar uma olhadinha na aula para ver do que a gente tá falando. Temos a ex-Opéra de Paris Mathilde Froustey (bailarina favorita de Felipe), a russa prodígio Maria Kochetkova (a minha bailarina preferida da companhia!), o mito cubano Lorena Feijoo… A própria apresentadora, a ex-primeira bailarina Joanna Berman, comentou que eles têm bailarinos de várias nacionalidades, inclusive da Ásia, África e América do Sul. Vale lembrar que um dos primeiros bailarinos, Vitor Luiz, é brasileiro!

Aula

Mathilde sendo limpa e aristocrática
Mathilde sendo limpa e aristocrática

Quem ministra a aula é o maître de ballet Felipe Diaz, que também conduz alguns ensaios. A aula é bem técnica, com vários exercícios de alongamento de tendão e aquecimento da musculatura interna (como tendues e glissés rápidos).

No centro, VÁRIAS piruetas. De todas as formas, Com terminações diferentes. Eu mesma sofreria horrores nessa parte!

Mathilde Froustey não estava num dia muito inspirado para girar, mas a limpeza técnica dela é impressionante. Em todos os passos ela marca direitinho a intenção do movimento, raramente se conserta nas poses e tem aquela cara de francesa maravilhosa que te despreza. Mito!

Maria Kochetkova
Maria Kochetkova: uma primeira-bailarina alternativa!

Outro momento engraçado é ver como Maria Kochetkova fica sem graça diante das câmeras. Curioso, já que ela é super desenvolta em suas redes sociais. Ela faz aula com roupas super inusitadas: calção de boxe, meia de jogador de futebol e casaco com capote. Roupagem bem alternativa para uma primeira bailarina!

PS: Se isso ajudar a levantar a perna como ela e girar mais de quatro piruetas numa preparação, a gente veste qualquer coisa!

Ensaios

Diferentemente das outras companhias, o San Francisco Ballet nos presenteou com VÁRIOS ensaios durante sua transmissão. E abusaram da tecnologia enquanto isso: a GoPro voava na sala e chegava bem pertinho dos bailarinos, dando um ângulo diferente daqueles que estamos acostumados.

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Ensaio de Haffner Symphony

O primeiro foi Haffner Symphony,com  música de Wolfgang Amadeus Mozart e coreografia de Helgi Tomasson. Quem estavam nos papéis principais eram Sasha de Sola e Carlo Di Lanno. Não conhecia esse repertório, mas a música de Mozart realmente é algo diferente. O ouvido dança quando escuta! Adorei a coreografia: tem um jeito meio Nureyev de movimentação, com um passo em cada tempo de música, o que deve tornar os ensaios particularmente exaustivos.

Em seguida veio o trabalho original de Yuri Possokhov, com música de Ilya Demutsky. Achei bem legal o coreógrafo, ex-Bolshoi, dizer como ele prefere trabalhar: no caso dele com música criada especialmente para o ballet. Foi apenas a partir da música que ele teve a ideia do repertório, que tem a ver com marinheiros que se sacrificaram pela revolução socialista na Rússia. Achei histórico! No elenco temos a maravilhosa Lorena Feijoo, que carrega bastante na dramaticidade que a música pede.

frankenstein

Sucesso incontestável em Londres, quando estreou em maio pelo Royal Ballet, Frankenstein de Mary Shelley será apresentado em fevereiro pelo San Francisco Ballet. Segundo o San Francisco, o trabalho foi feito em parceria entre as duas companhias, e por isso o SFB tem o direito de apresentar logo após o Royal. O ensaio contou com os principais Joseph Walsh e Frances Chung nos papeis de Viktor Frankenstein e sua noiva, Elizabeth, no momento em que ele a pede em casamento. A música de Lowell Libermann é tenebrosamente linda: mesmo nas horas mais felizes ainda tem aquele pouquinho de macabro nas notas. A coregrafia de Liam Scarlett é bem suave, compatível com a música, e nossa, os bailarinos mandaram MUITO bem. Fiquei com mais vontade de assistir!

Diamonds, Pas/Parts e Cinderella também fizeram parte dos ensaios transmitidos pelo San Francisco. Como ficaria muuuuito grande analisar todos eles, preferimos ficar por aqui e convidar vocês a fazer essa resenha!

Quer ver nossa galeria de fotos? Clica aqui!

O San Francisco Ballet foi a última companhia que analisamos. Também tem post sobre o Australian Ballet, Bolshoi, Royal Ballet e National Ballet of Canada. Quer comparar com o que teve no ano passado? Dá uma olhadinha aqui!

O vídeo completo você encontra aqui:

World Ballet Day 2016 – Bolshoi

O Bolshoi fez de tudo para atrapalhar nossa resenha, mas não contou com a astúcia da nossa leitora Joana Medeiros (MUITO obrigada!), que nos mostrou o caminho das pedras para encontrar a transmissão da companhia. Para ter acesso ao vídeo, basta fazer um cadastro no site do próprio Bolshoi, clicar na aba ‘video’ e assistir. É fácil e super simples!

A companhia quer mesmo mostrar que está focada em inovação, tanto é que a primeira coisa que aparece no streaming são as turmas infanto-juvenis (algo que senti falta nos demais ballets!), com entrevista com alunos e professores. A técnica de ensino do Bolshoi, que já foi questionada e até mesmo criticada por aqui, foi abordada logo de cara. Achei interessante essa forma mais direta de lidar com o público.

Meninos fofinhos que sonham em ser os novos Baryshnikovs (Foto: Reprodução)
Meninos fofinhos que sonham em ser os novos Baryshnikovs (Foto: Reprodução)

O Bolshoi realmente usou o World Ballet Day como promoção da companhia: teve entrevista com diretor artístico, coreógrafo, professor… Achei meio exagerado, até, porque só tinha gente falando maravilhas do ballet russo, da companhia, da escola, de como lá é o ‘berço’ do ballet clássico… Menos, né? O Bolshoi realmente se mantém como uma das maiores companhias do mundo e os russos continuam nos presenteando com bailarinos e bailarinas incríveis. Mas o resto do mundo também 🙂

Aula, mesmo, só depois de mais de uma hora de transmissão. E foi com o mesmo professor do ano passado, Boris Akimov, que é uma figura! Mais uma vez, o que dá pra notar é que o foco das aulas é na extensão de pernas e braços, marca registrada do método russo. Isso fica beeeem claro nos adagios e port de bras. Mas achei interessante que no centro tem um passo específico de fondue (!) com piruetas. Bolshoi inovando.

Não teve muita interação dos bailarinos com a transmissão, salvo quando diretamente abordados pela apresentadora. A disciplina é muito mais rígida em comparação com outras companhias – os bailarinos não brincam muito, não fazem muitas gracinhas ou mesmo falam com o professor. Quem faz ballet há algum tempinho vai se identificar com essa metodologia, que era abordada aqui no Brasil por professores, maîtres e dames de ballet até algum tempo atrás!

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Professor bom é o que faz o passo e ainda se alonga! (Foto: Reprodução)

E o melhor foi deixado para o final! Os ensaios foram de Jewels de George Balanchine (no programa consta Diamonds, mas, como apontou a Julimel, em Jewels a coreografia com tutu romântico é Emeralds), e The Golden Age, de Yuri Grigorovich – coreógrafo contemporâneo (apesar dos seus 89 anos) e uma das apostas do Bolshoi. Gostei muito das coreografias dele que assisti, como O Lago dos Cisnes e Spartacus, e o original A Flor de Pedra, com música de Sergei Prokofiev.

Jewels foi ensaiado no palco (amo!), já com orquestra e simulação de figurino, e The Golden Age foi em sala, no piano – o que dá a impressão que esse ballet começou a ser ensaiado há pouco tempo. Achei bem interessante a escolha desses repertórios para acompanhar, porque mostra dois estágios bem distintos de produções.

Marcação no palco com orquestra de Diamonds, de Balanchine (Foto: Reprodução)
Marcação no palco com orquestra de Jewels, de Balanchine (Foto: Reprodução)

 

Quer ver mais fotos? Tem galeria aqui:

 

 

 

Mais World Ballet Day? Clica aqui!

Agachamento para bailarinos

Pode até não parecer, mas alguns exercícios não-convencionais para bailarinos podem melhorar bastante o rendimento em sala e nos palcos. Isso é porque a gente se acostuma a trabalhar e utilizar sempre os mesmos músculos (e da mesma forma!) nos alongamentos e nas aulas. E o que pode acontecer é alguma lesão por repetição (já falamos sobre essas chatas por aqui).

Além de fortalecer a musculatura – o que por si só já é excelente! – essa série simples de agachamentos pode te ajudar no en dehors ou turnout, o calo de muitos bailarinos e bailarinas (meu, inclusive)!

agachamento-de-bailarinasAgachamento com thera-band:

Você vai precisar de uma thera-band e espaço livre. Separe as pernas um pouco além do espaço entre os ombros, e amarre a thera band nas coxas, um pouco acima do joelho, para delimitar esse espaço. Leve as mãos para frente e comece o agachamento.

Desça o máximo que conseguir equilibrando bem o peso entre as duas pernas. A ideia é forçar os adutores internos da coxa e do quadril, que estão sendo estimulados pela thera-band.

Agachamento na parede:

Para esse exercício você só precisa de uma parede e um pouco de espaço. Fique com as pernas paralelas ou com um leve en dehors (bem leve, para não acabar forçando os joelhos!), de costas para a parede. Coloque uma perna para trás, tocando o metatarso do pé na parede, e divida o peso entre as duas pernas.

Agache na perna de base e tente manter as costas retinhas, o máximo que conseguir. Tudo bem se acabar levando o tronco um pouquinho para frente, o importante é não fazer um ‘calombo’ com as costas. Esse movimento vai fortalecer ainda mais os glúteos (alô, en dehors)!

Quando você já estiver dominando esse exercício, experimente fazer sem a parede. Dessa forma, o trabalho no core fica ainda mais desafiador, e exige mais do abdômen!

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Repetições:

O ideal é sempre variar de um dia para o outro, justamente para não ‘acostumar’ os músculos. Experimente fazer 3 séries de 10 repetições num dia num tempo mais moderado, e depois alternar para uma série de 10 repetições, segurando em isometria cinco segundos na posição embaixo. O ideal é fazer os exercícios dia sim, dia não.

 

A postagem original é da Pointe Magazine, que você acha aqui!

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Perfil: Anna Pavlova

Essa bailarina russa do século XIX ainda é, nos dias de hoje, uma das maiores referências ao ballet clássico. Anna Pavlova revolucionou o jeito de dançar nas pontas e consagrar a Rússia como ‘berço’ da dança, ao se tornar uma verdadeira celebridade. Uma das suas representações mais famosas foi A Morte do Cisne – repertório criado especialmente para ela e que foi apresentado pela primeira vez em 1905 – e Aurora, em A Bela Adormecida, seu repertório preferido.

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Anna Pavlova como cisne branco, papel que a consagrou (Foto: Reprodução)

Anna Matveievna Pavlova nasceu em São Petersburgo em 12 de fevereiro de 1881, numa família humilde. Nunca conheceu seu pai: quem cuidou de sua formação e educação foi sua mãe, Lyubov Fedorovna, que ganhava a vida lavando roupas. Lyubov foi a responsável pelo primeiro contato de Anna com a dança: levou-a ao Teatro Mariinsky em seu aniversário de oito anos para assistir A Bela Adormecida.

Fascinada, Anna resolveu se matricular na  Escola Imperial de Ballet de São Petersburgo, mas só conseguiu ser admitida dois anos depois, em 1891, quando completou dez anos. Com 18 anos estava formada na escola e entrou para o corpo de baile do Ballet Imperial Russo em 1899. A partir daí, sua carreira deslanchou.

Mas não sem antes quebrar barreiras. Anna tinha biotipo magro e longilíneo, bem diferente do ideal para bailarinas na época, que priorizava dançarinas fortes e musculosas. Ela também foi responsável por revolucionar a forma de subir à ponta – colocando todo o peso do corpo nos dedos, e esticando os pés.

anna-pavlovaEm 1906 chegou ao posto de prima ballerina, já famosa em sua terra natal. Nesse mesmo ano realizou seu sonho de infância e apresentou-se como Aurora em A Bela Adormecida no Teatro do Mariinsky.

Sua primeira apresentação internacional foi em 1908, emParis, quando dançou no Théâtre du Châtelet com o Ballets Russes de Sergei Diaghilev. De 1908 a 1911, apresentou-se com a companhia de Diaghilev, passando a dividir o seu tempo profissional entre as turnês e as apresentações no teatro Mariinsky. Em 2010 dançou em Nova York pela primeira vez, também com o Ballets Russes.

Em 1913 sai do Ballet Imperial e passa a se apresentar por sua própria conta, empresariada por Victor d’Andre, com quem casou-se no ano seguinte, em meio à Primeira Guerra Mundial. Os dois passaram a viver em Londres, e nessa época Anna excursionou nos Estados Unidos e na América do Sul – dançou no Municipal do Rio de Janeiro e São Paulo, além do Teatro da Paz, em Belém do Pará. Dançou também na Ásia, Oriente e África do Sul.

Olha só sua interpretação de Odette em A Morte do Cisne:

Anna morreu vítima de pneumonia, no auge da fama, e a duas semanas do seu aniversário de 50 anos.

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Gabriel Matheó: “O Bolshoi não forma apenas bailarinos”

A Bahia está danada para mandar bailarinos para fora do Brasil! O mais novo é Gabriel Matheó Bellucci, formado pela Escola Bolshoi e ex-bailarino da companhia da escola, que bate as asas rumo à Europaballett, na Áustria.

Conversamos um pouquinho com ele para saber como foi sua preparação aqui na Bahia e de que forma sua formação no Bolshoi contribuiu para que ele tivesse uma projeção internacional tão rápido. O que percebemos foi muito carinho e reconhecimento tanto à Escola Bolshoi quanto à Academia de Dança Adalgisa Rolim, onde ele deu os primeiros passos no ballet clássico. E, assim como muitos bailarinos, Gabriel pensa em voltar ao Brasil para ensinar e contribuir para o melhorar o cenário de dança que o formou.

Como foi que você conheceu a dança? Qual foi a academia daqui da Bahia que te “revelou”?

Na minha escola em Villas do Atlântico (zona metropolitana de Salvador) existe uma gincana anual onde os alunos de cada ano se organizam e criam coreografias, cartazes, apresentações de teatro etc. Foi meu primeiro contato com a dança, mas nada profissional. Quando tinha 10 anos fui matricular minha irmã na Academia de Dança Adalgisa Rolim, e acabei fazendo uma aula experimental. Resultado: ela saiu meses depois e eu fiquei, durante quatro anos. Foi lá que dei meus primeiros passos com o ballet clássico e jazz. Foi uma época muito importante, tia Gisa me deu bolsa nesses quatro anos e a ela sou muito grato por ter me encaminhado futuramente pro Bolshoi e por ter me orientado desde o comecinho.

Quando foi que você decidiu se tornar profissional? Qual o impacto que a escola do Bolshoi teve na sua vida?

Em 2010 participei da audição do Bolshoi no concurso Ballace em Camaçari e fui aprovado com bolsa integral. Até me formar eu não tinha ideia do quanto o Bolshoi tinha me dado, tanto tecnicamente (por ser uma escola de método russo, Vaganova, a excelência cobrada é altíssima) quanto psicologicamente. O Bolshoi não forma apenas bailarinos, lá aprendi a ter disciplina, zelo, paciência, respeito, persistência, força … É uma rotina muito puxada, estudava pela manhã, e fazia aulas à tarde. Sem ter passado por isso, hoje, não estaria indo pra Europa, não teria conhecido artistas com almas tão bonitas e talentos excepcionais, sou muito grato por tudo que aprendi na minha época de Escola Bolshoi.

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Gabriel em apresentação no Bolshoi (Foto: Acervo pessoal)

Você está realizando o sonho de muitos bailarinos e bailarinas brasileiros, que é dançar numa companhia internacional. Como foi que você chegou à audição?

Ano passado quando me formei na escola, fui contratado pela companhia jovem Bolshoi Brasil, que é o primeiro contato profissional que nós, ex-alunos, podemos ter assim que nos formamos. Até ano passado eu era aluno formando, esse ano fui funcionário e pude conhecer um outro lado da escola, tão rígido quanto antes, porém com um tratamento diferente. A cia jovem me trouxe muita experiência artística ou “de palco” como a gente chama. Em agosto fui pra Áustria fazer audição e passei, voltei pro Brasil há duas semanas (final de agosto) para finalizar meu período com o Bolshoi e viajo para a Áustria dia 6 de setembro para começar uma nova etapa.

Outros bailarinos que saíram do Bolshoi – como a também baiana Mariana Miranda – também estão a caminho de companhias fora do país. Acha que é uma tendência?

Com certeza é uma tendência e um desejo de muitos. Somos preparados e treinados pra isso. No Brasil sabemos o quanto é difícil em viver da arte em geral, então somos “obrigados” a buscar oportunidades fora do país.

Quais são seus planos pro futuro? Pensa em voltar a dançar aqui no Brasil?

Por enquanto quero passar algum tempo fora ainda, viajando e conhecendo novas companhias e novas cidades. A carreira em cima dos palcos é curta, então temos que aproveitar o máximo, pra depois trabalhar no “bastidores” dando aula, ensaiando, repassando o que um dia nos foi ensinado.

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Por quê o pilates é o melhor amigo dos bailarinos

Resolvi pegar carona no sucesso do desafio do Pilates proposto nas nossas redes sociais (não acompanha a gente ainda? Somos @oitotemposblog no Twitter, Instagram e Facebook!) e falar um pouquinho sobre esse queridinho dos bailarinos e se o santo é milagroso, mesmo!

Pra começar, o Pilates foi criado por um autodidata alemão chamado Joseph Pilates. Por conta da infância cercada de doenças (ele sofria de raquitismo, asma e febre reumática), começou a estudar fisiologia e medicina oriental para que não acabasse numa cadeira de rodas. O resultado dessa pesquisa ele pôs em prática em exercícios, que acabaram virando esse método de alongamento e fortalecimento muscular.

Ele é febre entre bailarinos: Tamara Rojo, diretora artística e primeira bailarina do English National Ballet, volta e meia publica uma foto dela em aula. Steven McRae (o da primeira foto), principal do Royal Ballet, faz propaganda desse método abertamente, e diz que é de onde tira força e flexibilidade para dançar. Nossas leitoras Tatiana Schwartz e Juliana Vasconcelos, que participaram do ‘desafio do pilates’, também são entusiastas.

 

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Nossa leitora Tatiana Schwartz e sua abertura negativa (Foto: Instagram)

Mas os benefícios para os bailarinos realmente são grandes? Para saber disso conversei com Tatiana Rocha, fisioterapeuta e bailarina, que tem um studio de Pilates (o Ponto de Equilíbrio) e pedi a ela que me dissesse o que essa modalidade faz para quem dança. Pelo que dá pra ver, é só coisa boa!

  • Ganho de flexibilidade
  • Ganho de força e resistência muscular
  • Equilíbrio muscular
  • Alinhamento das estruturas corporais
  • Ganho de equilíbrio e eixo corporal através da consciência do centro de gravidade
  • Fluidez nos movimentos
  • Preservação das articulações, estabilizando e mobilizando-as
  • Reduz o risco de lesões

 

E dá resultado?

Experiência própria: eu já fiz musculação convencional em academia e fiz pilates também. Para tonificar a musculatura geral, tanto academia quanto o pilates funcionam bem. Mas o pilates tem o diferencial do alongamento, e trabalha muito a musculatura interna, que é bastante exigida na dança. Fora que não hipertrofia tanto quanto a musculação, deixando a musculatura mais alongada (prefiro)!

O único ponto negativo do pilates é o preço, que proporcionalmente é mais alto do que a mensalidade de uma academia (motivo pelo qual ainda não voltei a praticar, haha!);  massss se você pode investir, vá na fé!

Pra estimular, olha Juliana Vasconcelos arrasando no abdominal!