Perfil: Aurélie Dupont

Aurélie Dupont é a personificação do Ballet Opéra de Paris. Após 26 anos como bailarina  (sendo 17 como étoile – ou estrela), ela hoje responde pela direção artística da companhia.

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Aurélie como Raymonda (Foto: Reprodução)

De estilo bem eclético, Aurélie interpretou todos os grandes papéis dos ballets mais tradicionais, como A Bela Adormecida, Sylvia, La Bayadère; aos neo-clássicos, como Balanchine, Forsythe e Roland Petit; e contemporâneos, como Pina Bausch e Wayne McGregor.

Por conta dessa característica e também do seu carisma para com o público francês, a expectativa é que sua gestão seja bem-sucedida. Na sua noite de despedida como étoile do Opéra, ela foi ovacionada por 25 minutos.

Nascida em Paris, na França, em 15 de janeiro de 1973, Aurélie começou a dançar somente depois de se interessar pelo piano e pela ginástica, e aos dez entrou na Escola de Dança da Ópera Nacional de Paris. Ela foi aluna de Claude Bessy, um dos maiores professores da academia.

Estilo

Aurélie é, talvez, a bailarina que melhor define a Opéra de Paris:  uma característica muito forte da sua dança é a limpeza, aliada ao rigor técnico e à elegância – traços, aliás, comuns também à escola francesa.

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Aurélie Dupont e Joshua Hoffalt em La Bayadère  (Foto: Reprodução)

Mas se engana quem pense que ela é pouco expressiva. A interpretação da bailarina também é uma característica marcante especialmente em tragédias, como A Dama das Camélias e Romeu e Julieta. Ela foi musa inspiradora de alguns coreógrafos, como Benjamin Millepied (que a antecedeu na direção artística no Opéra), que criou dois ballets para ela, Amoveo e Triade;  e o japonês Saburo Teshigawara, da companhia Karas, com o repertório Sleep.

Aurélie também teve bailarinos maravilhosos como partners: Manuel Legris, Nicolas Le Riche e Harvé Moreau.

Veja aqui um trecho de Amoveo, de Benjamin Millepied:

Veja mais perfis:

Toshie Kobayashi

Larissa Lezhnina

Marius Petipa

Rudolf Nureyev

Darcey Bussell

 

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Bolshoi de cara nova?

Nessa semana (mais precisamente na segunda, dia 29) chegou a notícia que Makhar Vaziev, até então responsável pela direção artística do La Scala, em Milão, assumiria o posto de Sergei Filin como dirigente do Bolshoi.

Em 2013, Filin foi vítima de um episódio em que teve ácido jogado em seu rosto e, como consequência, teve a visão seriamente comprometida. No entanto, sua saída não teria sido movida por questões médicas, mas pela necessidade de mudança na companhia – considerada por muitos amantes da dança, críticos e especialistas do meio como extremamente conservadora.

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Vaziev comandava o La Scala desde 2009 (Foto: Reprodução)

A chegada de Vaziev, então, viria como uma “rajada de ar fresco” para o Bolshoi, modernizando o repertório e trazendo peças mais contemporâneas. E tudo indica que ele tem mesmo credenciais para isso: na companhia italiana, onde estava desde 2009, o diretor produziu trabalhos de coreógrafos como Alexei Ratmanski (muito populares no Australian Ballet, por exemplo) e Serguei Vikharev. Além disso, ele saberia como “trabalhar” o público e o ego russos. À frente do  Mariinsky por 13 anos, o diretor ganhou as graças de  estrelas como Svetlana Zakharova, Diana Vishneva e Evgenia Obraztsova.

O que muda?

Então virão novidades no Bolshoi? Sim. Serão boas? Talvez. Essa mudança me lembra muito a ida de Benjamin Millepied à também super conservadora Opéra de Paris com a mesma proposta. Um ano depois, o marido de Natalie Portman saiu do comando da companhia por ter uma abordagem supostamente vanguardista demais. Foi substituído por Aurélie Dupont, étoile recém-aposentada e queridinha do público e staff do  Opéra.

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Aurélie Dupont e Benjamin Millepied

Não sei se a mesma coisa vai acontecer com o Bolshoi. A verdade é que sinto tristeza que as companhias mais tradicionais hesitem em incorporar ao repertório tradicional peças de autores contemporâneos ou modernos, porque a impressão que fica é que não dá para harmonizar os dois. Considero a direção de Tamara Rojo no English National Ballet um acerto tremendo. Ela, que além de dirigente ainda dança pela companhia desde 2013, conseguiu equilibrar os ballets clássicos com novas produções em ‘divertimentos’ muito bem produzidos. Tanto que atraiu bailarinos de calibre, como Alina Cojocaru.

Fica aqui o desejo que Vaziev tenha um destino mais parecido com o de Tamara Rojo do que o de Millepied. E que a dança, no final, saia ganhando!