Vídeo da Semana #24

Sabe uma coisa que é super difícil de fazer em cena e que quase ninguém nota? Expressão nos movimentos – ou artistry, em inglês. Isso vale demais especialmente nos papéis mais figurativos (porém igualmente importantes!) como Don Quixote, o paxá n’O Corsário, o bruxo Rothbart em O Lago Dos Cisnes, a mãe de Lise, em La Fille Mal Gardée, e por aí vai.

O vídeo selecionado foi do ensaio da entrada de Carabosse, a bruxa d’A Bela Adormecida, no batizado da princesa Aurora. Para quem não sabe/lembra, Carabosse não foi convidada para a festa e se vinga amaldiçoando a princesa, condenando-a à morte ao espetar o dedo no fuso de uma roca. Drama puro! Se a bailarina ou bailarino não forem muito bem treinados, a principal cena do prólogo vai ser passada em branco. E ninguém quer que isso aconteça, né?

Aviso aos navegantes: A Bela Adormecida é o meu ballet preferido de todos os tempos e teremos muitos posts ainda sobre esse repertório. Me julguem!

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Riqueza nos dedos e no olhar (Foto: Reprodução / YouTube)

 

Voltando ao vídeo: essa é uma produção do Royal Ballet, em que a bailarina Kristen McNally, que até então nunca tinha atuado como Carabosse, ensaia sob a supervisão da répétiteuse (quem remonta os repertórios) e diretora do Royal, Monica Mason.

Uma das primeiras coisas que Monica faz é contextualizar a personagem para Kristen. Ela explica que, nessa produção, a Carabosse “acredita ser a fada mais linda do reino e sente-se bem consigo mesma”, diferentemente de outras montagens, em que ela é caracterizada como uma velha feiosa. Isso se reflete no bastão / bengala que ela usa.

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Carabosse amaldiçoa Aurora com a morte (Foto: Reprodução / YouTube)

“Você não vai se apoiar nesse bastão. É uma peça adicional de poder”, diz a diretora. Acho que isso já faz toda a diferença na Carabosse de Kristen, que desde já muda a postura. Sobe o queixo, olha de cima para baixo e passa uma imagem de arrogância. Muito interessante!

A ideia segue com todos os movimentos que vêm depois. A saudação ao rei e à rainha é minha parte preferida: Monica perde um tempinho explicando por quê a reverência tem que ser de um jeito que seja visível e claro à plateia mas, ao mesmo tempo, aparente ser claramente falsa e sarcástica, dada a repulsa da Carabosse pela falta do convite à festa. Daí a gente percebe como ela simplesmente não reconhece a soberania do casal real.

Análises à parte, segue o vídeo! A conversa é toda em inglês, mas tem closed captions! Ainda assim, quem não entende ainda pode se entreter com a linguagem corporal – afinal de contas, é isso o que vale na dança! Dica de amiga: assista até o final 😉

 

Quer mais #videodasemana? Veja nosso acervo aqui!

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10 verdades sobre ser bailarino profissional

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Suzanne Way, diretora do Professional Ballet Coaching moldando futuras bailarinas (Foto: PBC / Reprodução)

Esse post é mais uma inspiração para quem já quis ser profissional e não levou adiante (meu caso), quem está se esforçando e trabalhando para conseguir ou quem simplesmente gosta de dançar e quer sempre melhorar no que faz, ainda que seja por lazer (meu caso de novo!). Reunimos aqui 10 ‘verdades’ que Melanie Doskocil, ex-bailarina e atual professora do Aspen Santa Fe Ballet, disse sobre a profissão:

1. Dançar é difícil. Nenhum bailarino foi bem sucedido apenas se baseando no talento nato. Dançarinos são artistas e atletas. O mundo da dança hoje se equipara ao de esportes extremos. Talento e habilidade natural só vão te levar até certo ponto. Bailarinos precisam trabalhar duro e perseverar. Dançarinos dão anos de suas vidas, mais o suor, lágrimas e, às vezes, sangue para ter a honra de se apresentarem no palco.

2. Você nem sempre vai conseguir o que quer. Nós nem sempre conseguimos o papel que queríamos, dançamos na ponta quando queremos, recebemos os trabalhos que queremos, ouvimos os elogios que queremos, ganhamos o dinheiro que queremos, ver as companhias administradas do jeito que queremos, etc, etc. Isso nos ensina humildade e respeito pelo processo, pela arte e os mestres que escolhemos para nos ensinar. Quanto mais rápido você aceitar, mais rápido você vai poder se dedicar a ser brilhante. A gente nunca vai ter 100% de certeza que vai dar certo, mas a gente pode ter 100% de certeza que fazer nada não vai dar certo

3. Tem muita coisa que você não sabe. Um bailarino sempre tem o que aprender. Mesmo os professores, coreógrafos e diretores que menos gostamos podem nos ensinar algo. No minuto em que achamos que sabemos tudo deixamos de ser um bem valioso.

4. Pode não ter um amanhã. Um bailarino nunca sabe quando sua carreira pode desaparecer de repente: o fim de uma companhia, lesão que termina a carreira, acidentes, morte… Dance todos os dias como se fosse sua última performance. Coloque paixão mesmo nos exercícios em sala!

5. Há muito o que você não pode controlar. Você não controla quem te contrata, quem te demite, quem gosta do seu trabalho e quem não gosta, as políticas de estar numa companhia. Não gaste seu tempo e energia se preocupando com coisas que você não pode mudar. Foque em honrar sua arte, e ser o melhor dançarino que você puder. Mantenha a mente aberta e uma atitude positiva.

 

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6. Informação não quer dizer conhecimento. Conhecimento vem de experiência. Você pode discutir uma tarefa cem vezes e ir a mil aulas, mas a não ser que você realmente vá lá e se apresente, você só terá o entendimento filosófico da dança. Encontre oportunidades de ir ao palco. Você precisa experimentar um espetáculo para se considerar um bailarino.

 

7. Se você quer ser bem-sucedido, prove que é valioso. O jeito mais fácil de sair de um trabalho é provar para seu patrão ou patroa que não precisam de você. Em vez disso, seja indispensável. Chegue cedo, memorize seu trabalho, esteja preparado, guarde suas opiniões para si – a não ser que a tenham pedido. Acima de tudo, trabalhe duro.

8. Haverá sempre alguém mais ou melhor que você. Seja trabalho, dinheiro, papel ou troféu, não importa. Em vez de se deixar envolver pelo drama do que os outros estão fazendo ao seu redor, foque nas coisas em que você é bom as coisas que você precisa melhorar, e as coisas que fazem você um dançarino mais feliz.

9. Às vezes você vai falhar. Às vezes, apesar de todo o seu esforço, seguir os melhores conselhos, estar no lugar certo no lugar certo na hora certa, você ainda vai falhar. Falhar é uma parte da vida. Falhar pode ser imprescindível para nossos maiores crescimentos e experiências de vida. Se a gente nunca falhar, a gente nunca vai valorizar nosso sucesso. Esteja aberto para a possibilidade de falhar. E quando acontecer com você (porque vai acontecer) abrace a lição que vem junto.

10. Você nunca vai se sentir 100% pronto. Ninguém nunca se sente 100% seguro quando aparece uma oportunidade. Bailarinos devem estar abertos a se arriscarem. De soltar da barra para o balance, a viajar o mundo com uma companhia nova, a confiar um novo partner a encontrar uma forma nova de dançar, dançarinos têm que ser flexíveis na mente tanto quanto no corpo. As maiores oportunidades das nossas vidas nos forçam a crescer além da nossa zona de conforto, o que significa dizer que você não se sentirá totalmente confortável ou pronto para elas.

Essa listinha foi adaptada de um texto publicado pela própria professora em seu blog, Ballet Pages. No original, são 15 ‘verdades’, mas selecionei apenas as 10 com as quais me identifiquei mais! O link para o original, em inglês, está aqui.

Vídeo da Semana #22!

Quem não adora uma coreografia extremamente limpa? E coordenadíssima? E com bailarinos super entrosados? Pois bem, nossa leitora querida Clarice Bartilotti se encantou com esse vídeo, tanto que nos enviou como sugestão e, voilà! Virou #videodasemana. Valeu, Clarice!

Dessa vez seremos mais breves (infelizmente não pudemos entrevistar os bailarinos, como fizemos semana passada com Uriel Trindade), mas, em compensação, teremos uma análise maiorzinha da coreô.

Eu simplesmente adoro coreografias limpas e coordenadas. A companhia me ganha quando tem um corpo de baile bem ensaiado (Opéra de Paris, é com você mesmo!), e fazer isso com movimentos tão fluidos fica ainda mais difícil. O nome dessa dança é “Now Dance”, de Tao Ye, e foi apresentada no Centro Nacional de Artes de Pequim, na China. O vídeo não é linear – tem momentos intercalados com vários bailarinos, três, e um só – e trabalha com closes de passos e o palco completo. Isso, pra mim, enriquece ainda mais a experiência de assistir.

Muita gente questionou o tipo de dança. É ballet? Exercício de solo? Contemporâneo? Moderno? Eu arriscaria dizer um contemporâneo com muitos elementos de solo e alguns de clássico. São várias contrações e movimentos da técnica moderna, mas acredito que a leveza dos braços e os giros têm base no clássico!

Deixando de lado as especificidades técnicas da coreografia, acho que o mais legal é que ela é, aparentemente, simples. Não tem tantas pernas altas nem giros: é a movimentação incessante do corpo que mais chama a atenção. Como se o passo não acabasse, só evoluísse. Lembra um pouco o estilo das coreografias de Rudolf Nureyev e William Forsythe. Agora… Ao vídeo!

Quer mais #videodasemana? Clique aqui para ver nosso arquivo!

Vídeo da semana #21!

Quando a gente fala que qualquer bailarin@ de qualquer estilo pode aparecer aqui no #videodasemana é porque é verdade! Recebemos do bailarino e pole dancer Uriel Trindade uma sugestão de vídeo… dele mesmo! Adoramos, selecionamos e nos inspiramos para dar uma turbinada no post dessa semana!

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Menino dança de ponta sim! (Foto: Reprodução / Instagram)

Aproveitando a deixa, vamos falar um pouquinho de Uriel. Ele tem 25 anos, nasceu em Aracaju (SE) e é bailarino – dança de tudo, desde clássico (formado no método cubano pela Escola de Dança Juliana Stagliorio) a jazz e contemporâneo. Há três meses descobriu o pole dance, e foi por insistência da pole dancer e professora Erika Thompson que ele resolveu se jogar na modalidade e competir. Esse vídeo, aliás, é uma previazinha da coreografia que ele vai apresentar no sábado (4/6).

E como achar um homem que pratique pole dance ainda é algo meio difícil de encontrar, fizemos uma mini-entrevista com ele, que você confere abaixo:

De quem é essa coreografia? E qual é o maior desafio dela?

Essa coreografia fui eu mesmo quem fiz, com os movimentos de pole dance que aprendi com Erika (Thompson). O maior desafio são as travas (quando pernas e braços ‘trancam’ no pole, para realizar movimentos), que são corporais, articulares, e é dolorido quando a pele entra em contato com o mastro. Acho que aguentar as dores das travas é o mais difícil.

Como foi que você se interessou pelo pole dance?

Eu tenho três meses de pole dance! O que me levou a praticar foi o sonho que tenho de fazer audição para o Cirque de Soleil ou Beto Carrero, para trabalhar com o mastro chinês. Daí eu conheci Erika na Escola de Dança da Funceb, ela me perguntou se eu não teria interesse em praticar o pole dance e, quem sabe, competir. E aí eu comecei!

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Uriel também arrasa no tecido (Foto: Reprodução / Instagram)

Como bailarino você já deve ter sofrido preconceito. Existe alguma diferença no pole dance?

A relação do homem e dança é sempre ‘versus’, entendeu? Homem não dança, quem dança é mulher e quando ele dança ele é gay. Quando ele pratica pole dance o preconceito ainda é maior principalmente dentro do mundo gay, que se rotula muito. O que pratica pole dance não é visto como bailarino ou atleta, é visto como ‘viadinho’. Eu acho que o preconceito existe dentro dessas pessoas que não são preparadas ou não praticam porque têm medo de não manter essa postura mais ‘máscula’ diante da sociedade. Eu pratico pole dance por eu ser atleta e querer ser o melhor no que faço. Não me abalo com pessoas preconceituosas.

Qual é sua relação com a dança?

Eu danço desde o tempo de escola, quinta ou sexta série, sempre participei dos festivais na escola. Pratiquei ginástica, natação, fui atleta de atletismo e handebol. Com 18 anos entrei na faculdade para estudar dança e comecei dança de salão e ballet clássico, e jazz. Quando vim para Salvador eu me formei no método cubano pela Escola de Dança Juliana Stagliorio e até agora já fiz vários trabalhos como bailarino, acrobata e agora como pole dancer!

Gostamos dessa coreografia porque ela combina vários elementos do ballet clássico e do contemporâneo junto com os movimentos tradicionais do pole dance. Como Uriel é bailarino, os braços ficaram bem suaves e o trabalho de perna bem limpo. Aliás, parabéns aos envolvidos, porque a coreo tá super limpinha!

Agora, vamos ao vídeo:

Quer saber mais sobre Uriel? Ele está no Instagram (@uritrindade) e no snapchat (@urieltrindade)! Quer assistir o espetáculo? Mais informações aqui.

 

Veja nosso acervo do #videodasemana!

 

 

 

Anastasia Kazakova : É muita felicidade dançar no Brasil

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Anastasia Kazakova (Foto: Reprodução)

Bailarina formada pela escola Vaganova, em São Petersburgo, na Rússia, Anastasia Kazakova é uma das vinte solistas que integram a equipe de bailarinos do Ballet da Rússia, que estão fazendo uma turnê pelo Brasil desde abril. Ela, que é solista do Bolshoi, diz que é muito interessante se apresentar em várias cidades de um país grande como o Brasil, e se mostrou especialmente feliz com a resposta do o público, tão calorosa e receptiva.

Como é fazer uma turnê tão extensa como essa aqui no Brasil?

É uma turnê de ballet maravilhosa, e estamos todos muito felizes de estar aqui. Gostamos muito de passar pelas cidades maiores e mais conhecidas, como São Paulo, Rio de Janeiro, e, agora, Salvador. Mas também adoramos passar pelas cidades menores, que se mostraram tão receptivas quanto as grandes. Percebemos que o público gostou muito do espetáculo, e é muito caloroso com a gente.

O espetáculo é feito de divertimentos, ou seja, trechos que repertórios. Quais são mais fáceis de dançar? Qual ballet você gosta mais de dançar?

É mais fácil dançar esses divertimentos porque são trechos de ballets clássicos que a gente já está acostumado a dançar, como O Lago dos Cisnes, a Bela Adormecida, etc, até porque nossa formação, na Rússia, é mais tradicional e prioriza os grandes clássicos.

No segundo ato são peças mais modernas, mais contemporâneas, como Balanchine e Forsythe. São repertórios mais novos, portanto.

Não tenho como escolher um só como preferido! Adoro dançar todos eles, especialmente os clássicos.

O ballet russo tem ganhado mais espaço aqui no Brasil, seja na adoção do método em escolas ou na transmissão ao vivo das apresentações do Bolshoi em cinemas. Na sua opinião, o que diferencia o ballet russo dos demais?

Na verdade, o ballet na própria Rússia tem escolas diferentes. Eu sou formada na Vaganova, em São Petersburgo,  onde a prioridade é a extensão das pernas, dos braços e as linhas. Somos treinados para permanecermos em poses bonitas. O ballet de Moscou já prioriza pernas mais altas, muitas piruetas, explosão e agilidade. Mas mesmo dançando na Rússia a gente tem contato com bailarinos formados em Cuba, nos Estados Unidos, que vêm de técnicas diferentes, então a gente está sempre se aprimorando.

Mas, se eu tivesse que escolher uma formação, seria a Vaganova. É a melhor escola do mundo, a número 1.

Veja galeria de imagens do espetáculo! Fotos de Andrey Lapin e divulgação


O espetáculo Estrelas do Ballet Russo está em cartaz em Salvador nos dias 11 e 12 de maio, no Teatro Castro Alves. Ainda tem ingressos à venda na bilheteria e no site.

Próximas apresentações:

Aracaju:Teatro Atheneu, no dia 13 de maio (sexta-feira)

Teresina: Teatro Teresina Hall, no dia 14 de maio (sábado)

Fortaleza: Teatro Unifor, no dia 15 de maio (domingo) e Riomar, no dia 17 de maio (terça-feira)

Mais informações: http://www.balletdarussia.com/

Invasão russa em forma de workshops

Não é de agora que o ballet russo está dominando o Brasil: a gente encontra produções no cinema e vem chegando uma turnê de peso do Russian State Ballet. Mas não é só isso. Parece que a técnica russa, que parecia um pouco esquecida, voltou com tudo para os centros de ensino. Não por acaso, Boris Storojkov e Natalia Zemtchenkova, dois grandes nomes da escola Vaganova, foram convidados para ministrar um workshop em agosto na Cia de Dança Ímpeto, em São Paulo. Conversamos com a diretora artística da companhia, Monise Rosa, que explica o motivo desse evento – aberto para alunos de fora!

Natalia
Natalia foi solista no Russian Chamber Ballet e deu aulas na Cia de Dança Deborah Colker (Foto: Reprodução)

“Acredito que a troca de experiência e o contato com profissionais consagrados como Boris Storojkov e Natalia será de extrema importância para os bailarinos do Brasil! Terem esta oportunidade é  fazer com que sintam cada vez mais vontade de evoluir no ballet clássico e dentro do método russo Vaganova! Sempre terão um toque…uma boa explicação para os alunos! Pessoas como eles deveriam vir para Brasil com mais frequência! Só tem a acrescentar aos nossos alunos”, disse.

Monise explica que a Ímpeto já utilizava o método Vaganova na escola, mas, para ela, o ballet russo não é tão popular no Brasil, mesmo com os eventos recentes. Para ela, o workshop acaba sendo uma confirmação da escolha da técnica, e serve para que os alunos – e professores também, por que não? – aprendam um pouco mais sobre a história do ballet russo, tão importante para o ballet clássico.

“Aqui na Ímpeto estudamos o método russo por acreditarmos na sua evolução técnica!  Não acho que o ballet russo seja tão popular no Brasil, mas acredito que com a vinda desses profissionais estaremos contribuindo para qualificação do método por aqui e dos alunos num geral. Mas o Ballet está longe de ser uma coisa popular…Ele requer muito estudo, muita dedicação e amor à arte”!

Boris
Boris foi professor de ídolos da dança como Natalia Maharova, Ivan Vassiliev e Elisabeth Platel e em companhias como Cisne Negro e Deborh Colker (Foto: Reprodução)

A gente concorda! Se você está ou mora em São Paulo, vale a pena participar do workshop.

Quando: 3 a 6 de agosto

Onde: Cia de Dança Ímpeto (Rua Barretos, 612, Alto da Mooca – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2021-3487

Site: http://www.ciadedancaimpeto.com.br

Lesões: como prevenir?

Quando a gente fala de lesões, normalmente vem primeiro dicas de como curar, e, só depois, como prevenir. A gente acha o contrário: a prevenção é o principal meio para evitar que probleminhas simples aconteçam, ou se tornem mais graves.

tendinite-blogTendinite e Entorses: Tendinite é aquela dorzinha chata e aguda normalmente no calcanhar ou tendão de Aquiles, bem diferente da ‘dor boa’ do alongamento bem feito ou dos músculos bem trabalhados. Como se trata de uma inflamação, é um problema que vai piorando enquanto não é tratado. Para prevenir esse tipo de lesão, e também os entorses, a melhor coisa é aquecer os pés e tornozelos antes da aula – especialmente se for de ponta – com movimentos circulares, extensão e flexão (esticado/ flex), por alguns minutinhos. Já demos algumas dicas sobre isso aqui! Se você tem uma theraband, melhor ainda: tem outras dicas aqui.

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Theraband é boa opção para treino de força

Fratura por estresse: Essa é uma lesão mais séria, mas comum entre bailarinos e esportistas. A fratura por estresse nada mais é do que uma lesão por movimentos repetitivos, o que pode acontecer quando você treina várias vezes um passo ou uma coreografia com muitos saltos e giros, por exemplo. Também acontece quando os bailarinos em questão não têm acompanhamento muscular ou fisioterápico, o que sobrecarrega ainda mais o corpo. Para prevenir, a melhor coisa é reforçar o alongamento (veja exemplos aqui) e praticar alguns exercícios de força para turbinar a capacidade muscular (temos algumas sugestões aqui). Ficar SEMPRE atento ao que o corpo ‘diz’ após as aulas, e se a recuperação de um dia para o outro começar a ficar mais lenta, é melhor consultar um fisioterapeuta.

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Coluna e lombar: Não é tão comum bailarinos terem problemas com as costas, já que o maior impacto fica nos membros inferiores. Mas claro que desconfortos existem, especialmente com a lombar. Quem nunca sentiu aquela pontada depois de um ensaio extra? Para prevenir essas dores, que surgem principalmente quando temos uma carga a mais de ensaios ou aulas – ou mesmo quando estamos testando novos passos ou coreografias – a melhor coisa é alongar. Passe mais tempo com as mãos nos pés, estenda até o chão, caminhe para frente, alterne o peso entre as pernas sem tirar as mãos do chão. Tirar o peso da lombar é essencial para que ela não se machuque.

Outras dicas boas são as que servem para turbinar a sustentação do arabesque e penchée (já publicamos algumas aqui e aqui). Para as costas, além do alongamento básico, vale a pena fazer BASTANTE abdominal e prancha para fortalecer os músculos das costas. Isso mesmo! Engana-se quem pensa que abdominal é só para fortalecer o abdômen, as costas agradecem e muito!

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Tipo de alongamento que alivia a lombar! (Foto: Reprodução)

Distensão muscular: Essa deve ser a mais comum entre bailarinos, e também a mais fácil de prevenir. A distensão acontece quando a gente puxa o músculo frio além do limite de flexibilidade que ele está acostumado, ou de forma brusca, que pode resultar em ruptura parcial ou total da musculatura. Para prevenir esse tipo de lesão, a melhor coisa a fazer é alongar o músculo quando ele estiver aquecido, especialmente se você não for tão flexível. Aproveite para subir e descer escadas, dar uma corridinha de um ou dois minutos ao redor da sala de aula, ou fazer polichinelos antes de começar a puxar as pernas. Você tem que dar tempo para seu corpo entender que vai começar a dançar!

 

Fontes: Dance Magazine, Escola Bolshoi e acervo do Oito Tempos.

 

 

 

Vamos girar (mais)?

A gente já deu algumas dicas de giros aqui, mas como o processo realmente é complexo e algumas fórmulas não se adaptam tão bem a uns como a outros, voltamos ao tema com mais técnicas pra você testar na sala.

Se o seu problema é a pirueta de quarta (en dehors ou en dedans), tente reeditar nossa dica de pensar em subir no rélevé passé antes de girar e complete com: deixe seu braço da preparação te levar, como se ele fosse seu impulso. Pode parecer maluquice, mas volta e meia a gente esquece do danado – e é justamente ele que acaba derrubando o giro. Pense assim: vou subir no passé e fechar o braço, e o resto se resolve com a ‘bateção’ de cabeça.

Chaînés (ou chaînés déboulés, que significa algo como ‘giros espiralados em cadeia’): mantenha os calcanhares beeeeem juntinhos, sempre. Mesmo com a formação em Royal Academy, que ensina essa técnica com os braços sempre em primeira fechada, eu prefiro começar com eles mais abertos e ir fechando à medida que avanço na diagonal (como na foto abaixo). E isso tem uma explicação física: quando você fecha os braços, você gira de forma mais rápida, o que funciona muuuito bem para chaînés! Falando em física, você já viu nossas dicas de fouetté?

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A bailarina  Lauren Wolfram demonstra o passo a passo dos chaînés! Foto: Erin Baiano

Outra dica preciosa para qualquer giro é: jogue seu corpo levemente para frente, especialmente se você estiver na ponta. Quando subimos nas pontas, o natural é que a gente jogue as costas para trás um pouquinho, até se adaptar – e isso acontece nos giros, também. Experimente levar o tronco um pouco para frente, travar as costas e fechar bem as costelas na hora de girar. Até porque prevenir uma queda de frente é bem mais fácil do que de costas, certo?

 

 

 

Vídeo da semana #17!!

Uma coisa que eu falo bastante por aqui é o quanto eu acho importante que as grandes companhias invistam em material autoral e de coreógrafos contemporâneos. A gente sabe que o público do ballet clássico é, muitas vezes, conservador e avesso a mudanças (é com você mesmo, Bolshoi!), mas algumas companhias estão conseguindo introduzir mais variedade no repertório com muito sucesso.

O #videodasemana é justamente sobre um case de sucesso: o English National Ballet. Desde que assumiu a direção artística além do posto de primeira bailarina), Tamara Rojo conseguiu dar outros ares àquela que sempre foi a companhia à sombra do Royal Ballet. Hoje, o ENB é referência no Reino Unido em trabalhos autorais, e tem produções de clássicos de forma não-convencional, como o formato “caleidoscópio” ou “3D” – que a gente já avaliou (in loco!) aqui.

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Tamara Rojo interpreta Frida em momento de dor crônica (Foto: Reprodução)

Pois bem, vamos ao vídeo, finalmente! Dessa vez o ENB aposta em She Said, uma coletânea de três ballets coreografados por três mulheres (sim, porque existe muito sexismo no ballet clássico também!), Aszure Barton, Annabelle Lopez Ochoa e Yabin Wang. O que a gente escolheu para analisar foi Broken Wings, de Annabelle Lopez Ochoa, sobre a vida da pintora mexicana e ícone feminista Frida Kahlo.

Claro que nesse vídeo não temos o ballet inteiro, apenas trechos do ensaio, mas já podemos destacar duas coisas: uma é a introdução das pinturas da Frida e do marido dela, Diego Rivera, no cenário (móvel!), e que os bailarinos dialogam com ele o tempo todo. Segundo, que as dores físicas e psicológicas de Frida são retratadas como um personagem à parte, o que eu achei super interessante. Além disso, a coreografia me parece mais livre, menos amarrada ao conceito do clássico, e mistura muitos elementos da cultura mexicana – inclusive a dança local.

Vale o clique!

 

Quer mais #videodasemana? Acesse nosso arquivo!

Se você for muito sortud@ e estiver em Londres nos próximos dias, o ENB vai se apresentar em Sadler’s Wells do dia 13 ao 16 de abril. Mais informações aqui!

 

Tensão em Bucareste (post atualizado)

Uma notícia surpreendente – e descoberta de forma ainda mais chocante – dominou o noticiário de dança internacional. A história envolve Johan Kobborg, ex-principal do Royal Ballet, e marido da estrela romena Alina Cojocaru. Eis o drama:
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Kobborg e Alina em Romeu e Julieta, no Royal Ballet. (Foto: Elliot Franks)

Desde dezembro de 2013 Kobborg comandava a Opera Nacional de Bucareste, na Romênia, como diretor artístico. Ele ainda teria mais dois anos de contrato. Com a nova direção da ONB, que chegou na semana passada, ele descobriu, através do site da companhia, que foi REMOVIDO do cargo e realocado como corpo de baile. Hoje nem mais lá ele está listado.

Jura, gente? Os bailarinos da ONB já se manifestaram e disseram que não se apresentam sem Kobborg no comando, inclusive Alina, que faria participações especiais na companhia (ela, atualmente, é bailarina do English National Ballet). “Eu só vou me apresentar sob a administração de quem tornou esse ballet possível para a apreciação do público, com Kobborg como nosso líder”, Alina declarou no Twitter.
Em várias redes sociais, Kobborg se disse traído e teme que ‘o medo e terror’ voltem a dominar a companhia. Não sabemos exatamente a que ele se refere. Nós tentamos contato com o Kobborg, mas ainda não tivemos retorno. Mesmo assim, ficamos muito tristes com essas notícias e esperamos que tudo se resolva da melhor forma para os bailarinos e Kobborg, que, desde que assumiu, fez um trabalho super bonito na ONB!
kobborg_twitter“É com o coração pesado que eu encontro meu nome removido do cargo de diretor artístico da companhia ONB. Eu  nada tenho além de amor pelos dançarinos. Sonho de um dia voltar e terminar o que terminamos. Peço desculpas aos bailarinos que eu não tenha tido chance de dizer a vocês pessoalmente. Sejam fortes. Vocês todos são lindos”, diz Kobborg em post no Twitter quando descobre estar afastado do cargo.
ATUALIZAÇÃO!!
Kobborg anunciou no Twitter que entregaria sua demissão no dia 12 de abril, pelos motivos já citados acima. Ainda não conseguimos contato com ele ou com Alina Cojocaru, sua esposa, então não entendemos exatamente o que ele e os bailarinos tanto temem com a chegada da nova administração. Se antes a gente tinha alguma esperança que ele ficasse na ONB, isso parece que não tem mais como acontecer.
Segue a carta publicada no Twitter:
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