Silicon Valley Ballet fecha as portas

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Produção do Silicon Valley Ballet de Giselle, com montagem de Alicia Alonso (Foto: Bari Lee)

Parece que a crise econômica não está só no Brasil, e anda batendo na porta de pequenas companhias de dança pelo mundo. Tanto é que o Silicon Valley Ballet, na Califórnia (EUA), está encerrando as atividades após meses tentando se reeguer financeiramente.

A companhia (que até setembro se chamava Ballet San Jose) perdeu seus maiores financiadores, como John Fry – dono de uma indústria de eletrônicos, e se atolou em impostos. Nem mesmo a participação de astros como o bailarino espanhol José Manuel Careño e a maîtresse cubana Alicia Alonso conseguiram alavancar a arrecadação do Silicon Valley Ballet. Com o fechamento, 32 bailarinos e outros 32 funcionários estão sem companhia.

A informação do fechamento da companhia foi publicada em primeira mão no jornal San Jose Mercury News. Na matéria, o co-diretor da companhia, Millicent Powers, diz: “Temos que fazer o certo com nossos artistas, que é deixá-los fazer audições em outros lugares”. Para não dizer que tudo está perdido, ao menos a Escola de Dança Silicon Valley permanecerá ativa, embora com outra diretoria.

Ficamos muito tristes quando vemos companhias fechando. Esperamos de coração que toda a equipe, incluindo bailarinos e funcionários, encontrem uma nova casa.

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Sara Mearns: Por quê amo o ballet

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Sara Mearns em ensaio ao site The Every Girl. Foto: Erin Kestenbaum

Uma das bailarinas mais expressivas e vibrantes de sua geração, a americana Sara Mearns, que é principal do New York City Ballet, listou suas razões para amar o ballet clássico — e nós reproduzimos aqui*!

1. Você descobre algo novo sobre si mesmo todo dia. Seja bom ou ruim, uma força ou uma fraqueza, algo físico ou emocional, você vai acabar ficando mais forte.

2. Você fica extremamente em forma!

3. Quando você está no palco, pode criar um mundo de fantasia só seu.

4. Você pode brilhar e cintilar da cabeça aos pés — dos adereços do cabelo à maquiagem, fantasia e sapatilhas.

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Sara Mearns em Dances at a Gathering. Foto: Paul Kolnik

5. O ballet me fez perceber que você não pode ser perfeito. Perfeição não existe, e por que você ia querer? Perfeição é chata e não deixa espaço para crescimento ou busca por lugares mais altos.

6. Como uma bailarina, você pode dançar com as mais lindas e incríveis músicas —do tipo que deixa você com frio na barriga.

8. You get to meet interesting people from all around the world. These people are creating something brand-new—and they could be creating it on you.7. Criar uma parceria com alguém e um dos mais sagrados e pessoais aspectos de ser um bailarino. Você entende o que ‘confiança’ realmente significa.

9. Você pode viajar o mundo e se apresentar em lugares maravilhosos, desde is teatros mais antigos da França até os palcos ao ar livre em ruínas da Itália.

10. A razão mais importante pela qual eu amo o ballet é a oportunidade que eu tenho em ser uma mentora positiva para a geração mais nova. Eu consigo inspirar dançarinos jovens a seguir suas paixões e permitir que a arte da dança continue.

 

Quer saber mais sobre Sara Mearns? Visite o site oficial dela clicando aqui 🙂

*A postagem original dessa lista foi na revista americana Dance Spirit

Vídeo da semana #11!

Para o retorno pós-Carnaval ficar mais ~tranquilo e favorável ~, nosso #videodasemana veio da indicação de ninguém menos que Marcelo Gomes e Misty  Copeland, primeiros-bailarinos do American Ballet Theatre. Os dois compartilharam em suas respectivas redes sociais o vídeo da coreografia Toccara, dançada por Misty e Alexandre Hammoudi, e assinada por Marcelo – então achamos de bom tom analisar!

Primeiro que o nome da dança poderia ser facilmente “Linhas”, já que a coreografia – um pas de deux – é toda trabalhada nelas. Braços, pernas e extensões são amplamente utilizadas, e agradecemos aqui às curvas da Misty (ainda não sei lidar com essas pernas dela, gente!) por deixar a forma dos movimentos ainda mais acentuada. O cenário de fundo são imagens (lindas!) de partes dos corpos dos bailarinos, o que reforça essa ideia!

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Misty Copeland e Alexandre Hummoudi (Foto: Reprodução / YouTube)

A coreografia me lembrou um pouco In The Middle Somewhat Elevated (que eu amo), mas menos carregada na agressividade e flertando mais com o contemporâneo. Muitos pés em flex, contrações e braços hiperestendidos contrastando com a fluidez dos movimentos. A música, assinada por Ian Ng, é só violino e piano: mesmo essa combinação sendo simples, os arranjos são complexos. Tem momentos dramáticos, outros mais lentos, outros mais divertidos – e a coreografia acompanha tudo.

Agora você fica à vontade para assistir, mas adianto que Marcelo Gomes pode apostar sem medo na carreira de coreógrafo! Ainda mais se continuar investindo em talentos como Misty Copeland para protagonista 😉

 

 

 

Veja aqui nosso arquivo!

Vídeo da semana #10

Vídeo da semana #09

Vídeo da semana #08

Vídeo da semana #07

Vídeo da semana #06

Vídeo da semana #05

Vídeo da semana #04

Vídeo da semana #03

Vídeo da semana #02

Vídeo da semana #01

 

 

 

Vídeo da semana #09!!

Olá pessoal, tudo bem? Toda sexta-feira é certo para vocês o nosso #videodasemana, e a gente quer que vocês sugiram para nós os vídeos de dança que mais gostam. Sugiram sem moderação, hehe!!!

Esse de hoje surgiu de uma garimpada minha mesmo pela internet, e vai trazer para vocês uma mistura que até esse post eu não acreditava ser possível: pole dance e ballet (isso mesmo, você não leu errado!). Temos a bailarina Elena Gibson (ela que é formada pelo National Ballet of Canada, de quem já falamos aqui) interpretando a famosa coreografia de A morte do Cisne no mastro específico da prática do pole dance. Apesar de exigir muita força muscular de braços e pernas, a bailarina dá conta do recado, mostrando que tudo pode ser leve e etéreo quando se trata de misturar essas duas artes até então distintas entre si. Leveza e beleza fazem parte dessa apresentação, em uma releitura fantástica dessa coreografia secular. Vamos a ela então! 🙂

 

Para ver nossos outros vídeos da semana:

Vídeo da semana #08

Vídeo da semana #07

Vídeo da semana #06

Vídeo da semana #05

Vídeo da semana #04

Vídeo da semana #03

Vídeo da semana #02

Vídeo da semana #01

Vídeo da semana #08!!

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Uma das pontas da Jessica Fyfe (Foto: reprodução)

Cada um com seu cada qual, certo? O vídeo de hoje, sugestão da leitora Edielle Caroline, mostra o método de preparação da matéria-prima das bailarinas clássicas: as pontas! Sim, porque cada uma tem um jeitinho diferente de deixar a sapatilha mais confortável, ainda que muitas companhias tenham fabricação própria e personalizada (inveja eterna!!!!).

Todas as bailarinas que aparecem são do Australian Ballet, nossa companhia queridinha! A primeira é a solista Jessica Fyfe, do corpo de baile, disse que tem cerca de sete ou oito sapatilhas à disposição ao mesmo tempo para uso nas aulas, ensaios e apresentações. Ela disse que gosta de ter umas duas ou três mais molinhas, que são boas para saltos e para os palcos, umas três quase”no ponto” e uma bem dura, no caso de alguma amolecer muito mais rápido do que ela previa.

Para deixar as pontas “nos trinques”, Natasha Cushen, coryphée, gosta de raspar a sola, para dar mais atrito e melhorar a aderência ao solo e passa cola nas laterais internas (essa eu nunca tinha visto!). Já a principal Amber Scott sempre “embala” o pé esquerdo numa fita larga, por conta de lesões passadas, para prevenir novas.  Ela gosta de colocar um elástico largo e grosso na parte da frente, para segurar o colo do pé, e costurar as pontas para ajudar no equilíbrio (a Lisa Craig, também do Australian Ballet, já tinha dado essa dica no World Ballet Day).

E você, tem alguma técnica para deixar a sapatilha “no ponto”? Eu gosto de amolecer um pouquinho o gesso, para diminuir o barulho, então jogo um pouco de água na parte de cima e piso nela, moldando a caixa do jeito que eu gosto. Meu pé, apesar de não ser bonito, é forte, e por isso eu quebro a sola bem em cima, para impedir que ela quebre no meio e force uma ponta “errada”. Também uso elásticos para reforçar a segurança, mas não tão grossos como os da Amber Scott. E pretendo costurar as pontinhas para ver se o equilíbrio melhora, mesmo!

 

Veja nossos outros vídeos:
Vídeo da semana #07

Vídeo da semana #06

Vídeo da semana #05

Vídeo da semana #04

Vídeo da semana #03

Vídeo da semana #02

Vídeo da semana #01

Vídeo da semana #07!!

Olá, queridíssimos leitores!! Mais uma sexta-feira chega e com ela mais um vídeo da semana para VOCÊS! O vídeo de hoje foi postado pela nossa amada leitora Tatiana Schwartz, e graças a ela (obrigado, Tatiana!) vamos falar sobre, talvez uma das partes mais importantes dentro de um ballet de repertório: a mímica.

Fato é que, por ser voltado para um público mais entendido, as pessoas que assistem a um ballet de repertório muitas vezes não entendem “bulhufas” dos gestuais e mímicas que os bailarinos estão executando (às vezes entendem uma coisa ou outra, mas nem sempre tudo). Pensando nisso, o Royal Ballet, em seu canal no Youtube, postou um vídeo que serve como um guia iniciante para as mímicas.

A “aula” começa no encontro de Odette, Rainha dos Cisnes, com o Príncipe, no segundo ato de “O Lago dos Cisnes”. David Pickering é o professor que tem a tarefa de decodificar para a plateia do vídeo cada parte da mis-en-scéne. Os bailarinos que encenam esse momento são nada mais, nada menos que os queridos Thiago Soares e Marianela Nuñez, primeiros bailarinos do Royal Ballet, e os favoritos do pessoal aqui do blog, com certeza :-)!!!

Marianela ri ao 'interpretar' o bruxo (Foto: Reprodução / ROH)
Marianela ri ao ‘interpretar’ o bruxo (Foto: Reprodução / ROH)

Aqui temos uma explicação de cada gestual executado pelo bailarino para se fazer entender nas mímicas: as lágrimas, reverências, apontar para lugares, juras de amor. Tudo isso faz parte desse e de outros ballets já conhecidos. Marianela faz muito bem seu papel de anfitriã do público, sendo bem humorada a todo tempo em que ela mesma explica a cena. O vídeo ao final tem as legendas em inglês, para facilitar ainda mais a compreensão de quem assiste pela net. Posso dizer que é um vídeo muito educativo, esperamos que o Royal Ballet continue a investir em mais iniciativas assim. Então, vamos a ele:

 

Continuem a sugerir vídeos para nós!! Quer ver os nossos outros vídeos da semana? Clica aqui embaixo!

Vídeo da semana #06

Vídeo da semana #05

Vídeo da semana #04

Vídeo da semana #03

Vídeo da semana #02

Vídeo da semana #01

Então é Nat… Quebra Nozes!

Pra qualquer bailarino ou amante da dança, Natal e fim de ano são sinônimos de “O Quebra-Nozes”. É o único repertório que podemos ter certeza que vai constar no calendário de todas as companhias clássicas do mundo. E – o mais legal! – todas as versões têm diferenças e sutilezas, o que faz com que nosso clássico natalino nunca perca o frescor.

“O Quebra-Nozes”é, muitas vezes, responsável por transformar crianças em bailarinos. A música de Tchaikovsky, a magia dos personagens, o corpo de baile que se apresenta em diversas danças – seja como flores ou flocos de neves – e o ambiente de sonho faz com que a atmosfera do repertório traduza, para muitos, o significado da própria dança.

E a gente, claro, não sairia imune a esse encantamento. Felipe conta que a versão que mais lhe marcou foi a do Royal Ballet, em 2009 – de fato, uma das mais populares da companhia.

“Essa foi a primeira vez que assisti o repertório completo, e a versão da companhia é altamente atrativa e lúdica. A parte que mais gosto, com certeza, é o pas de deux da Fada Açucarada com o príncipe, com a Miyako Yoshida e o atual queridinho do Royal, Steven McRae. Dancei esse repertório apenas uma vez, no qual fiz o personagem Fritz (irmão da protagonista, Clara) e um pas de trois dos Mirlitons, já no segundo ato, no Reino dos Doces. Esse, para mim, ficou muito marcado, e ainda espero dançar novamente!”

Steven McRae e Miyako Yoshida como príncipe e Fada Açucarada do Royal Ballet, em 2009 (Foto: Royal Ballet)
Steven McRae e Miyako Yoshida (Foto: Royal Ballet)

Já eu me rendi aos encantos d’O Quebra Nozes bem antes. A versão que mais me marcou foi do New York City Ballet, de 1993, que tinha Macaulay Culkin como o Príncipe Quebra-Nozes e narração de Kevin Kline. Foi uma versão muito teatral e extremamente bem-produzida, e lembro que, mesmo pequenininha, me encantei com a Dança Cigana e, com os flocos de neve e, claro, com o pas de deux da Fada Açucarada e seu Cavaleiro, protagonizado por Darci Kistler Damian Woetzel.  Minha experiência com os palcos também é pequena: dancei uma vez, quando tinha sete aninhos, e participei da Dança Chinesa.

 

Marie/Clara e o príncipe (Macaulay Culkin) se despedem do Reino dos Sonhos (Foto: Reprodução)
Marie/Clara e o príncipe (Macaulay Culkin) se despedem do Reino dos Doces (Foto: Reprodução)

Uma outra coisa que amamos fazer é assistir ensaios, para entender como é que a mágica acontece. Nesse sentido temos muito a agradecer ao Royal Ballet, que volta e meia disponibiliza ensaios dos bailarinos principais conduzidos por mestres e répétiteurs (remontadores) da companhia. Nesse abaixo temos a Lauren Cuthbertson e Matthew Golding sendo dirigidos pelo diretor Kevin O’Hare. Vejam a atenção que ele tem com a musicalidade, delicadeza e o olhar dos dançarinos! Dicas impagáveis 🙂

Para quem quiser assistir à versão do New York City de 1993, tem o link para o ballet completo aqui!

E você? Qual é seu “O Quebra Nozes” preferido?

Vídeo da semana #03

Charleston, a dança que caracterizou os anos 1920!

A gente já tinha dito por aqui que adoraria receber sugestões de vídeo que fugissem um pouquinho do clássico, né (amamos, porém, por que não variar)?

Pois quem nos enviou esse vídeo super divertido e dinâmico foi o leitor Vinícius Lima, que, como a gente, se encantou com a flexibilidade, agilidade (e habilidade!) dos dançarinos. A filmagem não é profissional e a dança é zero pretensiosa, o que, na minha opinião, confere um ar ainda mais informal à apresentação. Ainda assim, a graciosidade dos quatro dançarinos chama muito a atenção, e que presença de palco (é palco mesmo?) deles!

Esse estilo de dança é chamado Charleston, e sintetiza muito bem o espírito dos anos 1920. Em casas de jazz, sobretudo em Nova Orleans, nos Estados Unidos, é possível encontrar apresentações desse estilo ou pessoas que vão lá e dançam de improvisação. Pena que não conseguimos descobrir onde esse vídeo foi feito e quais são os nomes dos bailarinos!

Segue o link!