Perfil: Larissa Lezhnina

Pedido de blogueira competente a gente não nega, né? Ainda mais blogueira competente e parceira, como é o caso da Julimel, do Vídeos de Ballet Clássico. A gente perguntou aos leitores e leitoras quem el@s gostariam de ver com perfilzinho aqui no blog, e Julimel sugeriu a bailarina preferida dela, Larissa Lezhnina. Então, vamos lá!

LarissaLehznina_626x932
Larissa (Foto: Het Nationale Ballet/ Reprodução)

Larissa integra o vasto time de bailarin@s russ@s que deixaram a terra natal para crescerem em companhias ocidentais – como Natalia Makarova, Mikhail Baryshnikov e Rudolf Nureyev. Larissa começou a dançar ainda criança, por incentivo da mãe. Foi uma das professoras dessa escola que viu o potencial dela e sugeriu que fizesse o teste para a Escola Vaganova, em Leningrado, e seguisse a carreira de bailarina profissional.

Da formatura, seguiu para o então Kirov (hoje ballet do Teatro Mariinsky), onde começou a crescer internacionalmente. Mesmo quando solista, Larissa já era reconhecida pela elegância nos palcos e, especialmente, por sua interpretação de Aurora em “A Bela Adormecida”. Em 1994, após alguns anos como principal da companhia de São Petersburgo, Larissa decidiu migrar para o Het Nationale Ballet. Ela tinha 25 anos. O motivo? “É impossível trabalhar com um diretor que te odeia”. Palavras da própria Larissa – o diretor, na época, era Oleg Vinogradov.

0103_Dutch_Serenade
Larissa em Serenade, de Balanchine, pelo Het Nationale Ballet (Foto: Reprodução)

Foi na companhia holandesa que Larissa realmente desabrochou. Para ela, que até então só tinha dançado peças extremamente clássicas, ousar em repertórios mais modernos, de coreógrafos como Ashton, Van Manen, Van Dantzig, Forsythe, e Tharp, foi muito gratificante. “Eu acho que é ótimo você exigir mais de si mesmo e tentar algo completamente diferente”, disse.

“Na época em que eu estava no Kirov, as únicas peças modernas que a gente tinha eram algumas de Balanchine e Robbins, que raramente eram apresentadas”. Mas, claro, os ballets preferidos continuaram sendo os clássicos, que ela cresceu apreciando e dançando.

diana

Nota pessoal: a primeira vez que vi Larissa dançando (sempre em DVDs e vídeos no YouTube, que fique claro!) foi numa apresentação de gala de divertimentos que o Kirov fez em Londres, em 1992, para a princesa Diana. Na época, Larissa dançou a suíte de Diana e Acteon com Faroukh Ruzimatov, outro bailarino brilhante. Eles tinham uma sintonia incrível!

Larissa se aposentou em 2014, após 20 anos como primeira bailarina no Het Nationale Ballet. Olha que lindo o vídeo de apresentação que a companhia fez dela!

Fonte: For Ballet Lovers Only

Anúncios

O efeito Misty Copeland

Misty Copeland como Odette. Foto: Reprodução/ The Guardian

O palco de um espetáculo de dança é o único lugar no mundo em que o príncipe pode ser negro, a camponesa pode ser asiática, um cisne negro pode ser branco, uma fada pode ser latina.. Mas uma coisa podemos ter certeza: o corpo de baile será sempre branco. A variedade de corpos e tons de pele é limitada.

Por isso a importância de uma bailarina como Misty Copeland: ela, numa tacada só, conseguiu “forçar” a entrada de uma bailarina negra e forte no posto mais alto de uma das maiores companhias de dança no mundo.

Mas o mais importante, no meu ponto de vista, não foi isso: a partir de Misty, o mundo começou a prestar atenção nos talentos que tinha historicamente deixado de lado. A partir da história de superação de Misty conhecemos, hoje, Michaela DePrince, bailarina do Dutch National Ballet que está ganhando o mundo pelo talento na dança e pela trajetória de sobrevivência. Ela, inclusive, acabou de anunciar que dançará Clara/Marie na produção de “O Quebra Nozes” da companhia.

Michaela DePrince em ensaio para a Glamour Magazine. Foto: Alique
Michaela em ensaio para a Glamour Magazine. Foto: Alique

Mas claro que Misty não foi a única. Graças a nomes como Carlos Acosta, temos hoje bailarinos incríveis despontando, como Eric Underwood, do Royal Ballet, um dos nomes mais cotados para, a longo prazo, assumir o posto de “estrela” deixado pelo cubano.

E no ano que vem teremos mais um passo muito, muito importante – talvez o passo mais importante até agora – no cenário da dança no mundo. A Associação Internacional de Negros na Dança (International Association of Blacks in Dance, em inglês) vai promover no dia 24 de janeiro, na Cleo Parker Robinson Dance Studios (em Denver, nos Estados Unidos), a primeira audição exclusivamente para dançarinas negras em escolas, cursos profissionalizantes e companhias.

Talvez assim, a partir do ano que vem, a gente consiga ver os ballets mais plurais, mais miscigenados, mais bonitos. Porque o que não poderia acontecer é continuar desprezando e diminuindo talentos como o desses dançarinos!

Eric Underwood. Foto: Reprodução/ Interview En L'air
Eric Underwood. Foto: Reprodução/ Interview En L’air

Veja abaixo a lista das instituições que já confirmaram participação (e parabéns aos envolvidos). Quer se inscrever? Clique aqui!*

Ballet Memphis

Charlotte Ballet

Colorado Ballet

Dance Theatre of Harlem

The Hartt School

Houston Ballet

Joffrey Ballet

Kansas City Ballet

Nashville Ballet

Pacific Northwest Ballet School

Pennsylvania Ballet

San Francisco Ballet

The Washington Ballet

 

*O site é em inglês