Vídeo da semana #21!

Quando a gente fala que qualquer bailarin@ de qualquer estilo pode aparecer aqui no #videodasemana é porque é verdade! Recebemos do bailarino e pole dancer Uriel Trindade uma sugestão de vídeo… dele mesmo! Adoramos, selecionamos e nos inspiramos para dar uma turbinada no post dessa semana!

6tag-607036886-1261081533349723386_607036886
Menino dança de ponta sim! (Foto: Reprodução / Instagram)

Aproveitando a deixa, vamos falar um pouquinho de Uriel. Ele tem 25 anos, nasceu em Aracaju (SE) e é bailarino – dança de tudo, desde clássico (formado no método cubano pela Escola de Dança Juliana Stagliorio) a jazz e contemporâneo. Há três meses descobriu o pole dance, e foi por insistência da pole dancer e professora Erika Thompson que ele resolveu se jogar na modalidade e competir. Esse vídeo, aliás, é uma previazinha da coreografia que ele vai apresentar no sábado (4/6).

E como achar um homem que pratique pole dance ainda é algo meio difícil de encontrar, fizemos uma mini-entrevista com ele, que você confere abaixo:

De quem é essa coreografia? E qual é o maior desafio dela?

Essa coreografia fui eu mesmo quem fiz, com os movimentos de pole dance que aprendi com Erika (Thompson). O maior desafio são as travas (quando pernas e braços ‘trancam’ no pole, para realizar movimentos), que são corporais, articulares, e é dolorido quando a pele entra em contato com o mastro. Acho que aguentar as dores das travas é o mais difícil.

Como foi que você se interessou pelo pole dance?

Eu tenho três meses de pole dance! O que me levou a praticar foi o sonho que tenho de fazer audição para o Cirque de Soleil ou Beto Carrero, para trabalhar com o mastro chinês. Daí eu conheci Erika na Escola de Dança da Funceb, ela me perguntou se eu não teria interesse em praticar o pole dance e, quem sabe, competir. E aí eu comecei!

6tag-607036886-1196573503682083844_607036886
Uriel também arrasa no tecido (Foto: Reprodução / Instagram)

Como bailarino você já deve ter sofrido preconceito. Existe alguma diferença no pole dance?

A relação do homem e dança é sempre ‘versus’, entendeu? Homem não dança, quem dança é mulher e quando ele dança ele é gay. Quando ele pratica pole dance o preconceito ainda é maior principalmente dentro do mundo gay, que se rotula muito. O que pratica pole dance não é visto como bailarino ou atleta, é visto como ‘viadinho’. Eu acho que o preconceito existe dentro dessas pessoas que não são preparadas ou não praticam porque têm medo de não manter essa postura mais ‘máscula’ diante da sociedade. Eu pratico pole dance por eu ser atleta e querer ser o melhor no que faço. Não me abalo com pessoas preconceituosas.

Qual é sua relação com a dança?

Eu danço desde o tempo de escola, quinta ou sexta série, sempre participei dos festivais na escola. Pratiquei ginástica, natação, fui atleta de atletismo e handebol. Com 18 anos entrei na faculdade para estudar dança e comecei dança de salão e ballet clássico, e jazz. Quando vim para Salvador eu me formei no método cubano pela Escola de Dança Juliana Stagliorio e até agora já fiz vários trabalhos como bailarino, acrobata e agora como pole dancer!

Gostamos dessa coreografia porque ela combina vários elementos do ballet clássico e do contemporâneo junto com os movimentos tradicionais do pole dance. Como Uriel é bailarino, os braços ficaram bem suaves e o trabalho de perna bem limpo. Aliás, parabéns aos envolvidos, porque a coreo tá super limpinha!

Agora, vamos ao vídeo:

Quer saber mais sobre Uriel? Ele está no Instagram (@uritrindade) e no snapchat (@urieltrindade)! Quer assistir o espetáculo? Mais informações aqui.

 

Veja nosso acervo do #videodasemana!

 

 

 

Anúncios

Ballet salva-vidas

Thiago se destacou na seletiva do Bolshoi (Foto: Matheus Pirajá)

A voz dele sai tão fininha que é até difícil ouvir. Parece estar com vergonha, ainda não se acostumou com essa coisa de dar entrevista. Diz que não sabe por quê gosta de dançar, apenas gosta. Muito.  E quer continuar fazendo isso pra sempre.

A vida de Thiago Nascimento de Jesus deu um giro de 180º quando o garoto, de 11 anos, foi aprovado para a escola do Ballet Bolshoi, em Joinville (Santa Catarina). A felicidade de conquistar uma bolsa vem com a novidade das entrevistas – Thiago foi o único baiano a passar na seleção na turma iniciante – e da mudança. Cheio de pose, ele diz que já esteve em Joinville, na própria academia do Bolshoi, e gostou do que viu. “É muito, muito grande. E tem várias salas”, disse, esboçando um sorriso.

Assim como aconteceu com Thiago, a dança tem o potencial de mudar e melhorar muitas vidas. De família muito humilde, ele não teria muitas oportunidades de estudar e investir na formação profissional. Ele só conheceu o ballet graças ao projeto de bolsas que sua professora, Juliana Stagliorio, mantém na escola.

“Eu pedi que ele se inscrevesse para a seleção do Bolshoi primeiro porque ele tem o físico muito bom para o método Vaganova, que é longilíneo e exige flexibilidade. Mas o outro motivo foi garantir que ele pudesse sair da comunidade dele como outra coisa que não pedreiro, garçom… Porque a realidade dele era essa”, disse a professora. Fica aqui nosso pedido para donos e donas de academias para também concederem bolsas para alunos que não podem pagar. Vai que você descobre o próximo Marcelo Gomes ou Ana Botafogo?

E a técnica?

Na escola, Juliana ensina o método cubano, conhecido pela agilidade e versatilidade na organização dos passos. O russo, que Thiago vai encarar no Bolshoi, é diferente – e vai exigir mais das extensões que ele tem ao seu favor. Ainda assim, Juliana, que é formada em fisioterapia, não esconde uma pontinha de preocupação no quesito técnica: como ele é muito flexível, não tem ainda muita força nos músculos internos e pode acabar trabalhando o “en dehors” errado, forçando os joelhos e os pés. Isso, aliás, é uma dica que vale pra todo mundo!

“O método Vaganova tem várias semelhanças com o cubano, como passos com bastante rélevés no centro, o que exige um trabalho de equilíbrio e core muito forte e, às vezes, muito cedo. Mas tem a questão da flexibilidade, também. Aqui a gente ensina como tem que trabalhar o en dehors, que não pode forçar muito para não machucar. Lá no Bolshoi eu sei que vão esperar isso dele. E no próprio método cubano, quando o aluno chega nos graus mais avançados espera-se que ele feche a primeira posição a 180º”, lamentou.

Natural

Alguns bailarinos têm a vantagem de, como Thiago, nascerem com o corpo já “preparado” para a dança. Juliana conta que percebeu que ele era diferente logo no primeiro dia, quando ‘escalou’ com as pernas em segunda e virou para o espacate de frente nos dois lados – tudo pelos ligamentos. Sem surpresas, os passos que Thiago mais gosta de fazer até hoje são os que exploram sua extensão, como grandes saltos e grand battements. Ah, ele ele gira super bem também, obrigada! Segundo ele, o mais chato é justamente fazer exercícios que exigem força muscular, como fondues e adagios.

Thiago aguarda com certa ansiedade poder dançar de verdade na academia do Bolshoi. Na última vez que esteve lá, para a segunda parte dos testes de admissão, ele reclamou que “ninguém pediu para eu dançar” e só ficou examinando seu físico. Calma, rapaz! Você vai ter oito anos pra mostrar serviço e, no final das contas, realizar o sonho de se apresentar nos maiores palcos do mundo. Onde? “Ah, qualquer um. Mas quero dançar em Cuba. E na Rússia”, comentou. Tá bem encaminhado!

OBS: A família de Thiago ainda precisa de ajuda para conseguir fazer a mudança. Se você puder contribuir, as doações podem ser feitas aqui: Banco: Caixa Econômica Federal, Agência: 4112, Operação: 013, Conta: 9341-8