Perfil: Anna Pavlova

Essa bailarina russa do século XIX ainda é, nos dias de hoje, uma das maiores referências ao ballet clássico. Anna Pavlova revolucionou o jeito de dançar nas pontas e consagrar a Rússia como ‘berço’ da dança, ao se tornar uma verdadeira celebridade. Uma das suas representações mais famosas foi A Morte do Cisne – repertório criado especialmente para ela e que foi apresentado pela primeira vez em 1905 – e Aurora, em A Bela Adormecida, seu repertório preferido.

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Anna Pavlova como cisne branco, papel que a consagrou (Foto: Reprodução)

Anna Matveievna Pavlova nasceu em São Petersburgo em 12 de fevereiro de 1881, numa família humilde. Nunca conheceu seu pai: quem cuidou de sua formação e educação foi sua mãe, Lyubov Fedorovna, que ganhava a vida lavando roupas. Lyubov foi a responsável pelo primeiro contato de Anna com a dança: levou-a ao Teatro Mariinsky em seu aniversário de oito anos para assistir A Bela Adormecida.

Fascinada, Anna resolveu se matricular na  Escola Imperial de Ballet de São Petersburgo, mas só conseguiu ser admitida dois anos depois, em 1891, quando completou dez anos. Com 18 anos estava formada na escola e entrou para o corpo de baile do Ballet Imperial Russo em 1899. A partir daí, sua carreira deslanchou.

Mas não sem antes quebrar barreiras. Anna tinha biotipo magro e longilíneo, bem diferente do ideal para bailarinas na época, que priorizava dançarinas fortes e musculosas. Ela também foi responsável por revolucionar a forma de subir à ponta – colocando todo o peso do corpo nos dedos, e esticando os pés.

anna-pavlovaEm 1906 chegou ao posto de prima ballerina, já famosa em sua terra natal. Nesse mesmo ano realizou seu sonho de infância e apresentou-se como Aurora em A Bela Adormecida no Teatro do Mariinsky.

Sua primeira apresentação internacional foi em 1908, emParis, quando dançou no Théâtre du Châtelet com o Ballets Russes de Sergei Diaghilev. De 1908 a 1911, apresentou-se com a companhia de Diaghilev, passando a dividir o seu tempo profissional entre as turnês e as apresentações no teatro Mariinsky. Em 2010 dançou em Nova York pela primeira vez, também com o Ballets Russes.

Em 1913 sai do Ballet Imperial e passa a se apresentar por sua própria conta, empresariada por Victor d’Andre, com quem casou-se no ano seguinte, em meio à Primeira Guerra Mundial. Os dois passaram a viver em Londres, e nessa época Anna excursionou nos Estados Unidos e na América do Sul – dançou no Municipal do Rio de Janeiro e São Paulo, além do Teatro da Paz, em Belém do Pará. Dançou também na Ásia, Oriente e África do Sul.

Olha só sua interpretação de Odette em A Morte do Cisne:

Anna morreu vítima de pneumonia, no auge da fama, e a duas semanas do seu aniversário de 50 anos.

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Perfil: Larissa Lezhnina

Pedido de blogueira competente a gente não nega, né? Ainda mais blogueira competente e parceira, como é o caso da Julimel, do Vídeos de Ballet Clássico. A gente perguntou aos leitores e leitoras quem el@s gostariam de ver com perfilzinho aqui no blog, e Julimel sugeriu a bailarina preferida dela, Larissa Lezhnina. Então, vamos lá!

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Larissa (Foto: Het Nationale Ballet/ Reprodução)

Larissa integra o vasto time de bailarin@s russ@s que deixaram a terra natal para crescerem em companhias ocidentais – como Natalia Makarova, Mikhail Baryshnikov e Rudolf Nureyev. Larissa começou a dançar ainda criança, por incentivo da mãe. Foi uma das professoras dessa escola que viu o potencial dela e sugeriu que fizesse o teste para a Escola Vaganova, em Leningrado, e seguisse a carreira de bailarina profissional.

Da formatura, seguiu para o então Kirov (hoje ballet do Teatro Mariinsky), onde começou a crescer internacionalmente. Mesmo quando solista, Larissa já era reconhecida pela elegância nos palcos e, especialmente, por sua interpretação de Aurora em “A Bela Adormecida”. Em 1994, após alguns anos como principal da companhia de São Petersburgo, Larissa decidiu migrar para o Het Nationale Ballet. Ela tinha 25 anos. O motivo? “É impossível trabalhar com um diretor que te odeia”. Palavras da própria Larissa – o diretor, na época, era Oleg Vinogradov.

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Larissa em Serenade, de Balanchine, pelo Het Nationale Ballet (Foto: Reprodução)

Foi na companhia holandesa que Larissa realmente desabrochou. Para ela, que até então só tinha dançado peças extremamente clássicas, ousar em repertórios mais modernos, de coreógrafos como Ashton, Van Manen, Van Dantzig, Forsythe, e Tharp, foi muito gratificante. “Eu acho que é ótimo você exigir mais de si mesmo e tentar algo completamente diferente”, disse.

“Na época em que eu estava no Kirov, as únicas peças modernas que a gente tinha eram algumas de Balanchine e Robbins, que raramente eram apresentadas”. Mas, claro, os ballets preferidos continuaram sendo os clássicos, que ela cresceu apreciando e dançando.

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Nota pessoal: a primeira vez que vi Larissa dançando (sempre em DVDs e vídeos no YouTube, que fique claro!) foi numa apresentação de gala de divertimentos que o Kirov fez em Londres, em 1992, para a princesa Diana. Na época, Larissa dançou a suíte de Diana e Acteon com Faroukh Ruzimatov, outro bailarino brilhante. Eles tinham uma sintonia incrível!

Larissa se aposentou em 2014, após 20 anos como primeira bailarina no Het Nationale Ballet. Olha que lindo o vídeo de apresentação que a companhia fez dela!

Fonte: For Ballet Lovers Only

Perfil: Rudolf Nureyev

Rudolf Nureyev
Rudolf Nureyev

Nascido na Rússia socialista (portanto, União Soviética) em 17 de março de 1938, Rudolf Khametovich Nureyev foi um dos maiores nomes do ballet na segunda metade do século XX. Além de bailarino de técnica impecável, ele foi peça importante para a reestruturação do Ballet Opera de Paris como coreógrafo e répétiteur (responsável por remontar as obras), revolucionou o papel do homem no ballet clássico e contribuiu para a inovação da dança moderna. Morreu em 1993, aos 54 anos, de insuficiência cardíaca decorrente da AIDS.

Acostumado a viajar desde o nascimento – sua mãe deu à luz num trem na linha Transiberiana, perto de Irkrutsk, na Sibéria – Nureyev fez audição para entrar no Bolshoi quando a família viajou do vilarejo, Ufa, para Moscou. Naturalmente, ele passou, mas optou pelo Kirov e mudou-se para São Petersburgo (à época, Leningrado). Mas, por conta das dificuldades burocráticas da União Soviética, foi apenas aos 17 anos que ele conseguiu matricular-se na escola.

Aos 20 anos, ele já era solista do Kirov e um dos bailarinos mais queridos do país. Por isso, ganhou permissão para se apresentar no exterior e contribuir para a propaganda do socialismo. Ele chegou a dançar em Viena, na Áustria, mas, por conta do seu temperamento rebelde, só voltou a sair da União Soviética em 1961. Nessa turnê, também pelo Kirov, ele foi aclamado pela crítica internacional (em especial pela francesa). Antes mesmo do fim da turnê, a KGB (inteligência soviética) quis mandá-lo de volta para o país, com medo que ele fugisse. Não adiantou: com a ajuda da polícia francesa e de amigos, Nureyev conseguiu escapar e firmou um contrato com o Grand Ballet du Marquis de Cuevas. Na turnê que a companhia fez pela Dinamarca, conheceu Erik Bruhn, solista do Royal Danish Ballet que se tornou seu amante e amigo mais próximo.

Um dos pontos altos da carreira de Nureyev como bailarino foi sua passagem pelo Royal Ballet, em Londres, quando dançou com a primeira bailarina Margot Fonteyn. Ele continuou no Royal até os anos 1980, quando, já como Principal Guest Artist (mais alto posto da companhia), ele migrou para o Opera de Paris. Mesmo depois de sua ida para o Opera, Nureyev e Fonteyn continuaram dançando juntos. A última vez que dividiram o palco foi em 1988 – Fonteyn tinha 69 anos e ele, 52. O repertório foi “Baroque Pas de Trois”. Já nessa época, por conta de sua habilidade técnica e talento, Nureyev conseguiu forçar o crescimento do papel masculino no ballet clássico, com coreografias mais difíceis e mais tempo em palco.

Em 1983 ele se tornou o diretor da Opera de Paris, e dava início à carreira de coreógrafo enquanto continuava como bailarino. Ele ajudou a formar o que foi, talvez, a melhor ‘safra’ de bailarinos da companhia: Sylvie Guillem, Monique Loudières, Elisabeth Platel, Isabelle Guérin, Manuel Legris, Charles Jude, entre outros. Ele continuou a trabalhar até o final da sua vida, mesmo fragilizado com o avanço da doença. Suas versões de “Romeu e Julieta”, “Lago dos Cisnes”, “La Bayadère”, “Raymonda” e “A Bela Adormecida” são reeditadas com exatidão pela Opera de Paris até hoje. À época, ele disse que queria “retirar todo o creme chantilly que foi adicionado ao longo dos anos e retornar ao original das coreografias de Marius Petipa”. Deu certo!

Mais perfis:

Darcey Bussel