Vídeo da semana #10!!

Olá queridos leitores!! Mais uma sexta-feira e com ela mais um #videodasemana, esse que foi sugerido pelas nossas leitoras fiéis, Mariana Zollinger e Isolda Lisboa (essa que é, por acaso, mãe da Juliana, minha parceira!).

Semana passada trouxemos aqui uma mistura de pole dance e ballet, lindamente interpretado pela bailarina Elena Gibson ao som da partitura de A morte do Cisne. Hoje, traremos a vocês uma leitura mais clássica dela.

A bailarina que interpreta o cisne nesse vídeo é nada mais nada menos que a Maya Plisetskaya, considerada uma das maiores bailarinas do século XX, juntamente com a Alicia Alonso e Margot Fonteyn. A Morte do Cisne é, provavelmente a interpretação pela qual ela é mais lembrada. A música é extremamente triste, e a coreografia mostra um cisne se debatendo até a morte. Plisetskaya faz uma linda interpretação com sentimento e graça que somente uma bailarina de seu top poderia fazer. Talvez algumas pessoas percebam que os balances não sejam tão sustentados como costumamos ver em interpretações clássicas atuais, ou percebam que em alguns momentos os courus na ponta estão paralelos. Nesse caso, analisemos que o ano é 1975, e algumas das características desenvolvidas e praticadas pelo ballet atual não existiam naquela época, onde havia uma valorização do artístico, e não do “acrobático”, como vemos nos tempos de hoje. Plisetskaya faleceu no dia 02 de maio, e deixou para nós um legado em dança que ficará para sempre! Vamos ao vídeo:

 

Vem dar uma conferida no nosso acervo de vídeos anteriores:

Vídeo da semana #09

Vídeo da semana #08

Vídeo da semana #07

Vídeo da semana #06

Vídeo da semana #05

Vídeo da semana #04

Vídeo da semana #03

Vídeo da semana #02

Vídeo da semana #01

Vídeo da semana #09!!

Olá pessoal, tudo bem? Toda sexta-feira é certo para vocês o nosso #videodasemana, e a gente quer que vocês sugiram para nós os vídeos de dança que mais gostam. Sugiram sem moderação, hehe!!!

Esse de hoje surgiu de uma garimpada minha mesmo pela internet, e vai trazer para vocês uma mistura que até esse post eu não acreditava ser possível: pole dance e ballet (isso mesmo, você não leu errado!). Temos a bailarina Elena Gibson (ela que é formada pelo National Ballet of Canada, de quem já falamos aqui) interpretando a famosa coreografia de A morte do Cisne no mastro específico da prática do pole dance. Apesar de exigir muita força muscular de braços e pernas, a bailarina dá conta do recado, mostrando que tudo pode ser leve e etéreo quando se trata de misturar essas duas artes até então distintas entre si. Leveza e beleza fazem parte dessa apresentação, em uma releitura fantástica dessa coreografia secular. Vamos a ela então! 🙂

 

Para ver nossos outros vídeos da semana:

Vídeo da semana #08

Vídeo da semana #07

Vídeo da semana #06

Vídeo da semana #05

Vídeo da semana #04

Vídeo da semana #03

Vídeo da semana #02

Vídeo da semana #01

Vídeo da semana #07!!

Olá, queridíssimos leitores!! Mais uma sexta-feira chega e com ela mais um vídeo da semana para VOCÊS! O vídeo de hoje foi postado pela nossa amada leitora Tatiana Schwartz, e graças a ela (obrigado, Tatiana!) vamos falar sobre, talvez uma das partes mais importantes dentro de um ballet de repertório: a mímica.

Fato é que, por ser voltado para um público mais entendido, as pessoas que assistem a um ballet de repertório muitas vezes não entendem “bulhufas” dos gestuais e mímicas que os bailarinos estão executando (às vezes entendem uma coisa ou outra, mas nem sempre tudo). Pensando nisso, o Royal Ballet, em seu canal no Youtube, postou um vídeo que serve como um guia iniciante para as mímicas.

A “aula” começa no encontro de Odette, Rainha dos Cisnes, com o Príncipe, no segundo ato de “O Lago dos Cisnes”. David Pickering é o professor que tem a tarefa de decodificar para a plateia do vídeo cada parte da mis-en-scéne. Os bailarinos que encenam esse momento são nada mais, nada menos que os queridos Thiago Soares e Marianela Nuñez, primeiros bailarinos do Royal Ballet, e os favoritos do pessoal aqui do blog, com certeza :-)!!!

Marianela ri ao 'interpretar' o bruxo (Foto: Reprodução / ROH)
Marianela ri ao ‘interpretar’ o bruxo (Foto: Reprodução / ROH)

Aqui temos uma explicação de cada gestual executado pelo bailarino para se fazer entender nas mímicas: as lágrimas, reverências, apontar para lugares, juras de amor. Tudo isso faz parte desse e de outros ballets já conhecidos. Marianela faz muito bem seu papel de anfitriã do público, sendo bem humorada a todo tempo em que ela mesma explica a cena. O vídeo ao final tem as legendas em inglês, para facilitar ainda mais a compreensão de quem assiste pela net. Posso dizer que é um vídeo muito educativo, esperamos que o Royal Ballet continue a investir em mais iniciativas assim. Então, vamos a ele:

 

Continuem a sugerir vídeos para nós!! Quer ver os nossos outros vídeos da semana? Clica aqui embaixo!

Vídeo da semana #06

Vídeo da semana #05

Vídeo da semana #04

Vídeo da semana #03

Vídeo da semana #02

Vídeo da semana #01

Perfil: Rudolf Nureyev

Rudolf Nureyev
Rudolf Nureyev

Nascido na Rússia socialista (portanto, União Soviética) em 17 de março de 1938, Rudolf Khametovich Nureyev foi um dos maiores nomes do ballet na segunda metade do século XX. Além de bailarino de técnica impecável, ele foi peça importante para a reestruturação do Ballet Opera de Paris como coreógrafo e répétiteur (responsável por remontar as obras), revolucionou o papel do homem no ballet clássico e contribuiu para a inovação da dança moderna. Morreu em 1993, aos 54 anos, de insuficiência cardíaca decorrente da AIDS.

Acostumado a viajar desde o nascimento – sua mãe deu à luz num trem na linha Transiberiana, perto de Irkrutsk, na Sibéria – Nureyev fez audição para entrar no Bolshoi quando a família viajou do vilarejo, Ufa, para Moscou. Naturalmente, ele passou, mas optou pelo Kirov e mudou-se para São Petersburgo (à época, Leningrado). Mas, por conta das dificuldades burocráticas da União Soviética, foi apenas aos 17 anos que ele conseguiu matricular-se na escola.

Aos 20 anos, ele já era solista do Kirov e um dos bailarinos mais queridos do país. Por isso, ganhou permissão para se apresentar no exterior e contribuir para a propaganda do socialismo. Ele chegou a dançar em Viena, na Áustria, mas, por conta do seu temperamento rebelde, só voltou a sair da União Soviética em 1961. Nessa turnê, também pelo Kirov, ele foi aclamado pela crítica internacional (em especial pela francesa). Antes mesmo do fim da turnê, a KGB (inteligência soviética) quis mandá-lo de volta para o país, com medo que ele fugisse. Não adiantou: com a ajuda da polícia francesa e de amigos, Nureyev conseguiu escapar e firmou um contrato com o Grand Ballet du Marquis de Cuevas. Na turnê que a companhia fez pela Dinamarca, conheceu Erik Bruhn, solista do Royal Danish Ballet que se tornou seu amante e amigo mais próximo.

Um dos pontos altos da carreira de Nureyev como bailarino foi sua passagem pelo Royal Ballet, em Londres, quando dançou com a primeira bailarina Margot Fonteyn. Ele continuou no Royal até os anos 1980, quando, já como Principal Guest Artist (mais alto posto da companhia), ele migrou para o Opera de Paris. Mesmo depois de sua ida para o Opera, Nureyev e Fonteyn continuaram dançando juntos. A última vez que dividiram o palco foi em 1988 – Fonteyn tinha 69 anos e ele, 52. O repertório foi “Baroque Pas de Trois”. Já nessa época, por conta de sua habilidade técnica e talento, Nureyev conseguiu forçar o crescimento do papel masculino no ballet clássico, com coreografias mais difíceis e mais tempo em palco.

Em 1983 ele se tornou o diretor da Opera de Paris, e dava início à carreira de coreógrafo enquanto continuava como bailarino. Ele ajudou a formar o que foi, talvez, a melhor ‘safra’ de bailarinos da companhia: Sylvie Guillem, Monique Loudières, Elisabeth Platel, Isabelle Guérin, Manuel Legris, Charles Jude, entre outros. Ele continuou a trabalhar até o final da sua vida, mesmo fragilizado com o avanço da doença. Suas versões de “Romeu e Julieta”, “Lago dos Cisnes”, “La Bayadère”, “Raymonda” e “A Bela Adormecida” são reeditadas com exatidão pela Opera de Paris até hoje. À época, ele disse que queria “retirar todo o creme chantilly que foi adicionado ao longo dos anos e retornar ao original das coreografias de Marius Petipa”. Deu certo!

Mais perfis:

Darcey Bussel

Lago dos Cisnes 3D

 

“Sensação de caleidoscópio” ou 3D? Foto: English National Ballet
“Sensação de caleidoscópio” ou 3D? Foto: English National Ballet

Eu estava insegura quando entrei no Royal Albert Hall para assistir “O Lago dos Cisnes” do English National Ballet. As promessas do programa (60 cisnes no palco em uma apresentação com “sensação de caleidoscópio”) me fizeram questionar se não seria muita coisa em uma produção só e deixaria a plateia sem saber para onde olhar. Eu estava errada.

A primeira coisa que chamou minha atenção foi que a orquestra e o ballet trocaram de lugar. O “palco” foi organizado na arena, que fica no ponto mais baixo do teatro, de forma que o público tinha uma visão “de cima” e não “de frente”. Os músicos foram colocados no tablado onde as apresentações normalmente acontecem, em vez de ficarem “escondidos” embaixo do palco. Essa pequena mudança de paradigma foi, para mim, gratificante e deu um toque especial à apresentação.

Visão geral:

Erina Takahashi como Odette
Erina Takahashi como Odette

A performance, em si, foi recheada de pequenas surpresas. Bailarinos apareciam da plateia e alguns artistas, como o bruxo Rothbart, surgiu do meio do palco entre brumas e efeitos de luz. Não é algo que você pode ver com facilidade em apresentações-padrão.

A auto-intitulada “sensação de caleidoscópio” não foi cansativa nem exagerada, como eu tinha esperado. O palco era muito grande e não tinha uma “frente”, sendo que o público estava espalhado ao redor dos bailarinos. Achei justo que cada um dos espectadores tivesse a chance de assistir os bailarinos dançando de frente para eles, mesmo que por um momento da coreografia.

A ideia de duplicar (ou até quadruplicar, no caso do pas de trois do primeiro ato) os solistas foi muito simpática e atenciosa em relação à plateia. A parte mais interessante e inteligente, ao meu ver, foi que a produção explorou a visão panorâmica e vista de cima, e usou isso ao seu favor, fazendo com que os bailarinos interagissem em vez de apenas executarem os passos.

O que tivemos no palco não foram apenas três ou quatro dançarinos fazendo a mesma coreografia, mas também trocando de lugar e posições. Essa ideia deu uma nova e belíssima perspectiva às coreografias tão conhecidas, como o famoso pas de quatre dos pequenos cisnes. Essa é outra coisa que não temos a chance de ver em produções normais.

Bailarinos:

Os braços longos e extremamente graciosos de Erina Takahashi fazem dela uma Odette/Odile dos sonhos. Ela representou muito bem as duas personagens, em especial a frágil e sofrida Odette. Odile foi um desafio para as pernas compridas da bailarina, com passos mais rápidos e um equilíbrio em arabesque bem difícil, mas Erina se transformou em um cisne negro manipulador e até malvado, talvez não tão sedutor quanto o de Tamara Rojo ou técnico como o de Daria Klimentová (duas outras primeiras bailarinas do ENB).

Eu não tenho muitas coisas boas para dizer sobre Esteban Berlanga como príncipe Siegfried com exceção de que ele é um ótimo partner, mantendo Erina no eixo durante as piruetas mesmo quando ela as começou fora dele. Faltam a ele graciosidade e técnica; para um bailarino principal esperamos que ele saiba terminar os giros sem quicar ou hesitar.

O corpo de baile foi sem dúvidas a estrela da apresentação. Todos os 60 cisnes estavam perfeitamente ensaiados e igualmente suaves; o tempo musical e a altura das pernas e braços, tão difíceis de “limpar”, estavam equivalentes e confirmaram minha impressão de que o English National Ballet tem o melhor ensemble do Reino Unido. Parabéns para a diretora artística (e primeira bailarina) Tamara Rojo.

*Post originalmente publicado no blog Revista Pulso em 29/06/2013. Para ver, clique aqui