As dores e delícias do pole dance profissional por Erika Thompson

Mesmo sendo uma modalidade relativamente recente, o pole dance tem vários grandes campeonatos realizados pelo mundo, e muitos pole dancers profissionais que conseguem viver apenas do esporte ou dança (isso depende do estilo escolhido por quem pratica).

Mas isso é na Europa, especialmente no Leste Europeu. No lado de cá, no entanto, a situação muda bastante – ainda mais em se falando do Brasil. Conversei com Erika Thompson (lembra dela? Tem matéria aqui!), que pratica o pole dance há quase sete anos, e precisa se desdobrar em várias para conseguir manter seu estúdio – o primeiro em Salvador -, treinar e conseguir competir.

Falando em competição, ela foi selecionada para competir no Sul-Americano de Pole Dance, na Argentina, em dezembro. O que deveria ser um orgulho se tornou uma dor de cabeça, porque ela, assim como muitos atletas brasileiros, não tem qualquer patrocínio e precisa arcar com todas as despesas sozinha. E dar aulas. E, claro, continuar treinando.

Erika no Mundial da China, em 2015
Erika no Mundial de Pole Dance na China (Foto: Acervo Pessoal)

“O brasileiro deveria ser estudado, porque ô povo para ter raça, viu? É incrível, não desiste!”, Erika disse aos risos. “Eu não consigo me dedicar para as competições do jeito que eu gostaria, porque não posso deixar de trabalhar. A falta de apoio também complica, porque eu não tenho a tranquilidade de poder ir a todos os campeonatos que eu gostaria. E, sem colocar minha cara lá fora, eu fico sem prestígio, sem reconhecimento. Acaba virando uma bola de neve”, explicou. Por isso, ela foi mais uma adepta do crowfunding: criou uma campanha para ajudá-la com os custos da competição.

A escolha do Sul-Americano não foi por acaso. Esse é um campeonato que ela já conhece, e que ela sabe que abre portas para os Mundiais e outros internacionais.”Hoje, o Sul-Americano é o campeonato de maior prestígio aqui na América do Sul. Temos pole dancers muito bons na Argentina e no Chile, a competição é muito forte mesmo”. Erika é uma das duas brasileiras selecionadas para a categoria Elite, a mais alta da competição.

Fora que o Sul-Americano tem a vantagem de ser próximo: muitos dos Mundiais e campeonatos grandes são na Europa, o que encarece a viagem. No Brasil, além de serem menores, também são mais precários – eu mesma sofri para conseguir falar com a organização do Campeonato Brasileiro em 2014, para saber a colocação dos vencedores. Naquele ano, Erika e mais três baianos participaram. Ela até hoje espera suas notas.

Pole dance na praia
Pole dance na praia, pode? (Foto: Rudolph Lamax)

E olha que Erika tem um currículo de peso: semifinalista no Mundial da China 2015, 2º lugar na Miss Pole Dance Glamour 2014, finalista do Sul-Americano 2013. Não deveria precisar de ajuda, né? Quem puder, contribua e divulgue!

Segue uma das poucas apresentações de Erika que foram gravadas, a do Campeonato Brasileiro de 2014.

 

 

Quer mais pole dance? Veja aqui nossa entrevista com Uriel Trindade, bailarino e pole dancer.

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Vídeo da semana #21!

Quando a gente fala que qualquer bailarin@ de qualquer estilo pode aparecer aqui no #videodasemana é porque é verdade! Recebemos do bailarino e pole dancer Uriel Trindade uma sugestão de vídeo… dele mesmo! Adoramos, selecionamos e nos inspiramos para dar uma turbinada no post dessa semana!

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Menino dança de ponta sim! (Foto: Reprodução / Instagram)

Aproveitando a deixa, vamos falar um pouquinho de Uriel. Ele tem 25 anos, nasceu em Aracaju (SE) e é bailarino – dança de tudo, desde clássico (formado no método cubano pela Escola de Dança Juliana Stagliorio) a jazz e contemporâneo. Há três meses descobriu o pole dance, e foi por insistência da pole dancer e professora Erika Thompson que ele resolveu se jogar na modalidade e competir. Esse vídeo, aliás, é uma previazinha da coreografia que ele vai apresentar no sábado (4/6).

E como achar um homem que pratique pole dance ainda é algo meio difícil de encontrar, fizemos uma mini-entrevista com ele, que você confere abaixo:

De quem é essa coreografia? E qual é o maior desafio dela?

Essa coreografia fui eu mesmo quem fiz, com os movimentos de pole dance que aprendi com Erika (Thompson). O maior desafio são as travas (quando pernas e braços ‘trancam’ no pole, para realizar movimentos), que são corporais, articulares, e é dolorido quando a pele entra em contato com o mastro. Acho que aguentar as dores das travas é o mais difícil.

Como foi que você se interessou pelo pole dance?

Eu tenho três meses de pole dance! O que me levou a praticar foi o sonho que tenho de fazer audição para o Cirque de Soleil ou Beto Carrero, para trabalhar com o mastro chinês. Daí eu conheci Erika na Escola de Dança da Funceb, ela me perguntou se eu não teria interesse em praticar o pole dance e, quem sabe, competir. E aí eu comecei!

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Uriel também arrasa no tecido (Foto: Reprodução / Instagram)

Como bailarino você já deve ter sofrido preconceito. Existe alguma diferença no pole dance?

A relação do homem e dança é sempre ‘versus’, entendeu? Homem não dança, quem dança é mulher e quando ele dança ele é gay. Quando ele pratica pole dance o preconceito ainda é maior principalmente dentro do mundo gay, que se rotula muito. O que pratica pole dance não é visto como bailarino ou atleta, é visto como ‘viadinho’. Eu acho que o preconceito existe dentro dessas pessoas que não são preparadas ou não praticam porque têm medo de não manter essa postura mais ‘máscula’ diante da sociedade. Eu pratico pole dance por eu ser atleta e querer ser o melhor no que faço. Não me abalo com pessoas preconceituosas.

Qual é sua relação com a dança?

Eu danço desde o tempo de escola, quinta ou sexta série, sempre participei dos festivais na escola. Pratiquei ginástica, natação, fui atleta de atletismo e handebol. Com 18 anos entrei na faculdade para estudar dança e comecei dança de salão e ballet clássico, e jazz. Quando vim para Salvador eu me formei no método cubano pela Escola de Dança Juliana Stagliorio e até agora já fiz vários trabalhos como bailarino, acrobata e agora como pole dancer!

Gostamos dessa coreografia porque ela combina vários elementos do ballet clássico e do contemporâneo junto com os movimentos tradicionais do pole dance. Como Uriel é bailarino, os braços ficaram bem suaves e o trabalho de perna bem limpo. Aliás, parabéns aos envolvidos, porque a coreo tá super limpinha!

Agora, vamos ao vídeo:

Quer saber mais sobre Uriel? Ele está no Instagram (@uritrindade) e no snapchat (@urieltrindade)! Quer assistir o espetáculo? Mais informações aqui.

 

Veja nosso acervo do #videodasemana!

 

 

 

Let’s (pole) dance!

Erika Thompson (Foto: Roberto Cunha)

Um estilo que vem crescendo muito no Brasil (e no mundo também, é só ver o número de campeonatos internacionais) é a famosa dança com o mastro. O pole dance, ao contrário do que diz o imaginário popular, vem beeeem antes das strippers de lingerie e salto agulha nos bares americanos, e requer muito mais força, técnica e leveza do que parece.

De cara, dá para ver que existem semelhanças com a dança clássica: os pés das pernas de trabalho SEMPRE estão esticados, as pernas também fazem movimentos conhecidos, como o espacate, arabesque, penchée, e os braços, quando não estão segurando a bailarina no mastro, podem fazer port-de-bras riquíssimos. E tudo sem impacto!

Conversamos com Erika Thompson, pole dancer – ou polerina – que já participou de vários campeonatos nacionais e internacionais (ano passado ela competiu no Mundial na China, ficando entre as finalistas, e foi vice-campeã do Miss Glamour em 2014), que explica as diferenças entre pole dance e pole sport e como fazer para começar.

 

Como foi que surgiu o pole dance?

É uma atividade que veio de uma ginástica, e não veio como dança, a princípio. Ele surgiu na Índia e o pole era de madeira. Os homens – porque mulheres não podiam – faziam várias acrobacias. Com o tempo isso foi se aprimorando até chegar ao circo. De lá se dividiu em duas vertentes. Uma foi a acrobacia, mesmo, que se consolidou como esporte tipo a ginástica. A outra foi a dança sensual.

Muita gente ainda hoje associa o pole dance à sensualidade, com a dançarina de salto alto e lingerie…

Sim, sim. Se eu não me engano, durante as guerras as mulheres eram chamadas para dançar em volta do pau da barraca que os soldados ficavam. Acho que saiu daí. E, ao mesmo tempo, tinha o circo usando o pole no mastro chinês, de uma forma completamente diferente. Daí a isso virar o que fazemos hoje levou bastante tempo. Tem uns seis anos que fazemos pole dance dessa forma, incorporando dança contemporânea, jazz, stiletto… Aí o salto entra com outra funcionalidade, é parte da dança, tem técnica. Como uma sapatilha.

Erika no Mundial na China Foto: Acervo pessoal
No Mundial na China. Foto: Acervo pessoal

E quais são os benefícios?

São infinitos. Desde físicos até psicológicos. No corpo é uma atividade que trabalha muito os músculos. De cara, os braços, até para conseguir subir no mastro. Mas não fica nada de fora: pernas, glúteos, costas, abdômen… Tem que ter muita força. É muito completo como atividade física. Mas eu vejo que o pole traz algo que não sei se outras danças trazem, pois é algo mais democrático. Todas as pessoas podem fazer em qualquer momento da vida. Não precisa ser desde pequenininha, até porque o pole kids começou tem uns quatro anos. A maioria começou já adulta ou adolescente. E você pode fazer uma performance incrível independente do peso, altura, porte físico.

Nas aulas e apresentações vocês estão sempre de top e shortinho, analisando bastante o próprio corpo. Isso acaba sendo ruim?

Pelo contrário. Muitas alunas até chegam complexadas com o próprio corpo, mas todas elas me disseram que passaram a ter uma relação melhor com o corpo depois de ver capaz de fazer. Aquele corpo, que elas achavam tão imperfeito, pode fazer tanta coisa que elas nunca imaginavam, que elas passam a amá-lo do jeito é. Tem outra coisa: você tem que começar a tirar a roupa, porque senão você não avança. O pole precisa do atrito da pele, e com blusa e short muito longos você não consegue isso. Você tem que escolher se você se esconde ou se evolui.

A movimentação do pole dance parece ser infinita. São muitos passos ou variações de passos?

Esse é um processo que ainda está em formação. Às vezes uma aluna que está mais avançada começa um movimento e ele se desenvolve de um jeito diferente. Aí me perguntam se está errado. Não, só não existia antes! A gente ainda está criando passos e movimentos. Existem os básicos e tradicionais, variações deles, também, mas tem mais coisa sendo inventada. Novas combinações, novas técnicas… No instagram, mesmo, todo dia tem coisa nova aparecendo. O pole ainda não está pronto. Não sei se um dia vai ficar.

O que é preciso para começar a dançar?

Algumas travas, posições de mãos, trava de pernas para se segurar no pole, e saber descer. Porque muitas vezes a pessoa executa bem o movimento mas “cai”. Não é uma atividade de impacto, ou você desce escorregando ou desce controlado. Se cai “tombando” pode machucar. E, assim como em outras danças, a ponta de pé é essencial. É uma atividade longilínea. Em campeonatos, mesmo, se você deixar o pé mole, as pernas frouxas e ficar se ajeitando muito na barra você perde ponto.

E os homens no pole dance?

Não é tão antigo como as mulheres, mas não é tão recente. O primeiro homem campeão brasileiro foi em 2010. Se o pole dance tem uns 15 anos como atividade aqui no Brasil, a participação masculina deve ter metade disso. Os meninos que faziam mastro chinês no circo descobriram no pole uma variação daquilo que eles já conheciam. Acho que eles vêm mais pela questão da força, mesmo.  Ainda existe o preconceito de que é coisa de mulher, de gay… Faz quem quer, gente. Não tem isso. O pole dá muita força, agilidade, flexibilidade, e isso começou a chamar atenção deles. E que bom!

Você começou como atleta, não foi? O que te fez mudar para dança?

No decorrer da minha carreira como atleta eu me percebi muito mais como artista do que como atleta. Nos campeonatos de pole sport, mesmo, eu comecei a enjoar do que via. Funciona como a ginástica, tem movimentos que dão mais pontos, quando combinados com outros têm mais pontos ainda, tanto tempo no solo, tanto tempo na barra… Então as coreografias ficam muito iguais. Você tem que colocar determinado movimento porque senão você não vai ganhar. E eu comecei a querer dançar do jeito que eu queria, colocar os movimentos que eu queria, sabe? Por isso me identifico, hoje, mais com a dança do que com o esporte. Eu gostava muito de competir. Hoje eu quero ter liberdade para criar, e ter um corpo que me permita criar.

Erika tem um studio onde treina e dá aulas de pole dance em Salvador. Quer saber mais? Clica aqui! O instagram dela é @erikathompson.poledancer. Segue que é babado!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vídeo da semana #09!!

Olá pessoal, tudo bem? Toda sexta-feira é certo para vocês o nosso #videodasemana, e a gente quer que vocês sugiram para nós os vídeos de dança que mais gostam. Sugiram sem moderação, hehe!!!

Esse de hoje surgiu de uma garimpada minha mesmo pela internet, e vai trazer para vocês uma mistura que até esse post eu não acreditava ser possível: pole dance e ballet (isso mesmo, você não leu errado!). Temos a bailarina Elena Gibson (ela que é formada pelo National Ballet of Canada, de quem já falamos aqui) interpretando a famosa coreografia de A morte do Cisne no mastro específico da prática do pole dance. Apesar de exigir muita força muscular de braços e pernas, a bailarina dá conta do recado, mostrando que tudo pode ser leve e etéreo quando se trata de misturar essas duas artes até então distintas entre si. Leveza e beleza fazem parte dessa apresentação, em uma releitura fantástica dessa coreografia secular. Vamos a ela então! 🙂

 

Para ver nossos outros vídeos da semana:

Vídeo da semana #08

Vídeo da semana #07

Vídeo da semana #06

Vídeo da semana #05

Vídeo da semana #04

Vídeo da semana #03

Vídeo da semana #02

Vídeo da semana #01